China lembra com discrição 20º aniversário da morte de Deng Xiaoping

Pequim, 19 fev (EFE).- A China lembra neste domingo com discrição o 20º aniversário da morte de Deng Xiaoping, o líder que transformou o país com a reforma econômica e a abertura, após a morte de Mao Tsé-Tung e os excessos da Revolução Cultural.

Deng, falecido em 19 de fevereiro de 1997 aos 92 anos, foi também o principal responsável pela violenta repressão das manifestações democráticas de Praça da Paz Celestial, em junho de 1989, com as quais o Partido Comunista da China garantiu a continuação de sua supremacia política.

Apesar de o governo chinês considerar que Deng foi o arquiteto da transformação que permitiu à China disparar seu desenvolvimento econômico através de uma adaptação do capitalismo que mantinha o regime de partido único, a data passou com pouco alarde no país.

Algumas cerimônias realizadas nos últimos dias em sua cidade natal de Guang'an, na província sudoeste de Sichuan, e várias menções na imprensa oficial marcam hoje o aniversário.

"Vinte anos depois, a China continua se beneficiando da sabedoria e do legado político do falecido líder", afirmou hoje um comentário na Rádio Internacional da China.

"Deng Xiaoping salvou a nação chinesa no final dos anos 70", declarou Victor Gao, um acadêmico que foi seu intérprete. "Sem Deng Xiaoping, a China não teria sido capaz de sair da caixa ideológica na qual tinha se fechado", acrescentou.

Deng também criou a primeira zona econômica especial, a de Shenzhen (junto a Hong Kong), e formulou o conceito "um país, dois sistemas" que permitiu acolher o retorno da antiga colônia britânica à soberania chinesa, algo que ocorreu poucos meses após sua morte.

Deng Xiaoping participou de toda a luta revolucionária de guerrilhas e depois da guerra aberta que levou os comunistas ao poder em 1949, e desde 1952 controlou altos cargos em Pequim, especialmente como vice-primeiro-ministro.

Sua posição a favor de uma política econômica com menos ortodoxia comunista provocou seu expurgo com a Revolução Cultural de 1966, e em 1969 foi enviado para trabalhar limando peças em uma pequena oficina de fabricação de tratores na província rural de Jiangxi, no sul do país.

O caos que a Revolução Cultural levou à economia e o câncer do histórico primeiro-ministro Zhou Enlai forçou Mao a recuperá-lo em 1974 como chefe adjunto do governo.

Após as mortes de Zhou e Mao em 1976 se transformou no líder do país, embora sem chegar a ocupar o posto de secretário-geral do Partido Comunista.

Seu motivo de discórdia era que não se podiam desprezar medidas válidas só porque eram empregadas em países capitalistas e Mao as rejeitasse.

Desde 1978 começou a articular e desdobrar as reformas econômicas que transformaram o país por meio da adoção de métodos capitalistas e tiraram da pobreza e do atraso centenas de milhões de pessoas que tinham visto poucas melhoras em 40 anos de maoísmo.

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