Senado da Rússia critica Trump por defender supremacia nuclear dos EUA

Moscou, 24 fev (EFE).- Representantes do Senado da Rússia, criticaram nesta sexta-feira o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, por defender a supremacia nuclear de seu país e colocar em dúvida o tratado de desarmamento Start, assinado entre ambos os países em 2009.

"Começar a presidência colocando em questão um tratado internacional entre Rússia e EUA não é a melhor forma de levar à prática a não proliferação nuclear", disse Victor Ozerov, chefe do comitê de Defesa e Segurança do Senado a veículos de imprensa russos.

Ozerov lembrou que os tratados internacionais "são a base do controle sobre as armas nucleares" e ressaltou que as intenções de Trump de aumentar o potencial estratégico "não respondem à estabilidade, ao entendimento mútuo e à segurança no mundo".

"Certamente, a Rússia é categoricamente contrária a que esse acordo deixe de existir. Insistiremos em seu prolongamento", afirmou Ozerov.

Por sua vez, o chefe do comitê de Assuntos Internacionais do Senado, Konstantin Kosachov, se perguntou se o lema eleitoral de Trump de "fazer a América grande de novo" significa "a hegemonia no âmbito nuclear".

Nesse caso, acrescentou Kosachov, Trump "devolverá o mundo aos tempos da corrida armamentista das décadas de 1950 e 1960, quando as partes em conflito tentavam garantir sua segurança nacional através da superioridade militar sobre seu rival".

Kosachov lembrou que o Start se baseia na paridade nuclear entre ambos os países a fim de impedir precisamente essa "supremacia nuclear" e que o tratado expira em 2021.

"Chegaram novos tempos? A melhor resposta seria um acordo ao máximo nível para o início de negociações em breve sobre o futuro do Start depois de 5 de fevereiro de 2021. Menos de quatro anos, justo o mandato presidencial de Trump", disse.

Em entrevista à imprensa, Trump ressaltou que, em matéria de arsenal nuclear, os EUA devem estar "à frente da manada" e tachou de "acordo ruim" o tratado Start assinado em 2009 em Praga pelos então presidentes dos Estados Unidos, Barack Obama, e Rússia, Dmitri Medvedev.

"Seria maravilhoso, um sonho se nenhum país tivesse armas nucleares, mas nunca vamos estar atrás de nenhum país, inclusive se é um amigo. Estaremos à frente da manada", comentou Trump.

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