EUA querem reformar Conselho de D.Humanos da ONU, a quem acusam de "parcial"

Genebra, 1 mar (EFE).- O governo dos Estados Unidos disse nesta quarta-feira que quer reformar o Conselho de Direitos Humanos da ONU, um órgão que, para a Administração Trump, atua de maneira "parcial" e adota posições "desequilibradas e injustas", sobretudo no que se refere a Israel.

"A fim de ter alguma credibilidade, e já não digo algum sucesso, o Conselho deve afastar-se de suas posições desequilibradas e improdutivas", afirmou a vice-secretária de Estado adjunta dos EUA para Assuntos de Organizações Internacionais, Erin Barclay, durante sua intervenção no segmento de alto nível da 34ª sessão do Conselho de Direitos Humanos.

"Na medida em que avaliamos nossos compromissos futuros, meu governo levará em conta as ações do Conselho, com um olho voltado para a reforma, para conseguir que o órgão cumpra mais plenamente sua missão de proteger e promover os direitos humanos", disse Barclay.

Na opinião do governo Trump, criar "maior credibilidade aumentará a capacidade de construir um mundo melhor para as pessoas em todos os países", afirmou a vice-secretária.

Barclay acrescentou que, se o Conselho "voltar, de maneira unificada e consicente, sua atenção para as situações de direitos humanos mais graves, será possível fazer avanços e ajudá-lo a cumprir seu mandato de tornar o mundo melhor e mais seguro".

A vice-secretária explicou que os EUA "estão mais fortemente comprometidos do que nunca com os direitos fundamentais", mas acrescentou que "muitas ações do Conselho não apoiam estes princípios universais e até os contradizem".

"Tanta gente no mundo, também em alguns Estados-membros, sofrem com os esforços continuados de seus próprios governos para restringir os direitos humanos e as liberdades fundamentais", comentou Barclay, ao apontar as "detenções arbitrárias, execuções extrajudiciais e a violência sexual e baseada no gênero".

A vice-secretária também reiterou que o governo em Washington está "profundamente preocupado com o foco contínuo, injusto e desequilibrado, que o Conselho coloca em um único país democrático: Israel".

"Nenhuma outra nação se encontra no foco de um ponto inteiro na agenda. Como isto pode ser uma prioridade adequada?", afirmou a diplomata americana.

Para Barclay, "a obsessão com Israel ao incluir o tema 7 na agenda é a maior ameaça à credibilidade do Conselho".

A diplomata mencionou o ponto na agenda do próximo dia 20, no qual o relator especial sobre os territórios palestinos ocupados desde 1967 apresentará um relatório sobre esta questão para o debate posterior dos membros do Conselho.

Incluir este assunto no calendário "limita o bem que se pode fazer, ao tornar este Conselho uma piada", opinou Barclay.

A diplomata explicou que, neste momento, o regime do presidente sírio Bashar al Assad "bombardeia hospitais e obriga seus próprios cidadãos a fugir como refugiados para países vizinhos", enquanto na Coreia do Norte e no Irã "milhões de pessoas não têm direito à liberdade de religião e culto, à reunião pacífica e à liberdade de associação e expressão".

"Quando falamos de direitos humanos, nenhum país deve ficar de fora da avaliação, mas também, nenhum país democrático deve ficar sujeito regularmente a uma visão desequilibrada e infundada", opinou Barclay.

A diplomata reiterou que os "EUA vão se opor a qualquer esforço para deslegitimar ou isolar Israel, não só no Conselho de Direitos Humanos, mas onde quer que seja".

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos