ONU diz que há vínculos entre tráfico e lavagem de dinheiro nos Panama Papers

Viena, 2 mar (EFE).- A publicação dos chamados Panama Papers demonstra o aumento das atividades relacionadas com o narcotráfico na América Central e a existência de redes de lavagem de dinheiro, é o que diz um relatório da ONU divulgado nesta quinta-feira em Viena, na Áustria.

"A magnitude do aumento das atividades criminosas relacionadas com o trafico de drogas nos países da América Central se confirmou com a publicação dos chamados Panama Papers", disse a Junta Internacional de Fiscalização de Entorpecentes (Jife), o órgão da ONU encarregado de zelar pelo cumprimento da legislação mundial sobre entorpecentes, em seu relatório sobre o mercado das drogas em 2016.

Esse relatório lembra que os documentos vazados, provenientes do escritório panamenho de advogados Mossack Fonseca, levaram ao descobrimento no ano passado de "uma rede criminosa internacional dedicada a lavar o dinheiro oriundo do narcotráfico".

A Jife indicou no documento que as operações policiais "trouxeram à tona as redes internacionais existentes na América Central e no Caribe e os métodos utilizados na prática para lavar divisas oriundas de atividades delitivas, em particular do narcotráfico".

Este órgão independente dentro do sistema das Nações Unidas afirmou que a DEA (a polícia federal de combate às drogas nos Estados Unidos) detectou que uma rede tinha adotado um sistema de lavagem baseado no contrabando de grandes quantidades de dinheiro em espécie e na emissão de faturas comerciais falsas.

Também em relação com a lavagem de dinheiro, a Jife se refere ao enorme impacto do narcotráfico no meio ambiente dos países das América Central e do Caribe.

Assim, a Jife denunciou a compra de superfícies florestais em áreas remotas que são transformadas em terras de cultivo, "o que permite aos grupos criminosos controlar o território nas regiões fronteiriças e realizar uma atividade que facilita a lavagem de dinheiro".

A Jife constatou que "o desmatamento aumentou nas áreas afetadas pelo trafico de drogas", tanto pela construção de estradas e pistas de aterrissagem clandestinas, como pelas propinas e coações para que os povos indígenas e outros moradores das zonas rurais deixassem suas terras.

Em relação ao impacto da violência, a Jife indicou que, apesar do número de homicídios ter permanecido elevado em 2016, estes caíram nos últimos anos, mas não em todos os países.

Em Honduras, por exemplo, a taxa de homicídios caiu entre 2014 e 2015 de 68 para 57 homicídios por cada 100.000 habitantes.

Já em El Salvador, por outro lado, o número de homicídios aumentou 164% entre 2013 e 2015, o que a Jife acredita que pode ser resultado do fim da trégua entre gangues e organizações criminosas.

O relatório afirma que a região continua sendo uma das principais rotas do tráfico de drogas dos países produtores da região andina, especialmente a Colômbia, para Estados Unidos e, em menor medida, Canadá e Europa.

Por exemplo, em 2014, 87% da cocaína que entrou nos Estados Unidos foi através da América Central e do México e os outros 13% pelo Caribe, sobretudo por Porto Rico e República Dominicana.

Em relação a outras drogas, as apreensões de cannabis no Caribe em 2014 representaram 13% do total mundial.

Em relação à papoula, da qual se extrai o ópio e a heroína, só há informações sobre seu cultivo na Guatemala.

Estima-se que a produção de ópio secado em forno neste país passou de quatro toneladas em 2012 para 14 em 2014, mas depois começou a cair de novo em 2015.

Em relação ao consumo, a prevalência de uso de cannabis foi de 2,9% na América Central e de 2,5% no Caribe, muito abaixo dos números das Américas do Norte e do Sul, e também da Europa.

Além disso, a prevalência do consumo de cocaína é de 0,6%, quase três vezes menor que na América do Norte.

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