Procurador-geral dos EUA se afastará de investigações sobre Rússia se preciso

Washington, 2 mar (EFE).- O procurador-geral dos Estados Unidos, Jeff Sessions, se mostrou disposto nesta quinta-feira a se afastar, se necessário, de qualquer investigação sobre as supostas ligações da campanha do presidente Donald Trump com a Rússia, após a divulgação da notícia de que Sessions manteve reuniões com o embaixador russo em Washington.

"Disse que quando for apropriado me afastarei. Não há dúvida sobre isso", enfatizou Sessions em entrevista à emissora "NBC".

Além disso, após ter emitido na quarta-feira um comunicado no qual negou que tivesse mantido reuniões com funcionários russos para falar de assuntos da campanha, Sessions reiterou hoje o mesmo e tachou as acusações a respeito de "falsas".

"Não tenho mais nada a dizer sobre isso", concluiu Sessions, cujo cargo equivale ao de ministro da Justiça em outros países.

Dois congressistas republicanos de alto perfil, Kevin McCarthy e Jason Chaffetz, também se pronunciaram hoje sobre a polêmica e coincidiram que Sessions deveria se afastar das investigações sobre a suposta interferência russa nas eleições americanas, que teriam como objetivo beneficiar Trump em detrimento de sua rival democrata Hillary Clinton.

Ao liderar o Departamento de Justiça, Sessions é precisamente o encarregado de supervisionar a investigação sobre a suposta interferência russa durante o pleito e os supostos vínculos entre a campanha de Trump e o Kremlin.

Integrantes do alto escalão do Partido Democrata no Congresso estão pedindo desde a quarta-feira a saída de Sessions, após a divulgação da notícia de que ele teria tido reuniões com o embaixador russo em Washington durante a campanha presidencial, algo que depois escondeu ao Senado.

Segundo o jornal "The Washington Post", o então senador Sessions, assessor da campanha de Trump, manteve encontros com o embaixador russo em Washington, Serguei Kislyak, em julho e em setembro do ano passado, justo antes das eleições.

A porta-voz de Sessions, Sarah Isgur Flores, confirmou que o agora procurador-geral se reuniu com Kislyak antes das eleições, mas em sua qualidade de integrante do Comitê de Serviços Armados do Senado.

Durante sua sabatina no Senado, Sessions foi questionado pelos democratas sobre sua disposição para investigar as supostas ligações da campanha de Trump com o Kremlin como futuro chefe do Departamento de Justiça.

"Se há alguma prova que algum membro da campanha de Trump se comunicou com o governo russo durante esta campanha, o que você faria?", perguntou o senador Al Franken, e Sessions respondeu: "Não tenho conhecimento de nenhuma dessas atividades".

E mais, Sessions garantiu que "não teve contato com os russos".

As novas revelações sobre Sessions ameaçam gerar mais uma crise no governo de Trump, que já viu há algumas semanas como os contatos com Kislyak - antes, durante e depois das eleições - custaram o cargo do então conselheiro de segurança nacional da Casa Branca, o general Michael Flynn.

O presidente Trump negou sempre qualquer tipo de conexão de sua campanha com o Kremlin.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos