De Mistura garante que negociações sírias incluirão luta contra terrorismo

Genebra, 3 mar (EFE).- O enviado especial da ONU para a Síria, Staffan de Mistura, afirmou nesta sexta-feira que a oposição e o regime sírio têm agora "uma agenda clara" para negociar após a quarta rodada de diálogo em Genebra, e anunciou que o processo incluirá o tema da luta contra o terrorismo, como pediu o governo.

"Temos uma agenda clara agora diante de nós. Esta agenda terá quatro eixos temáticos", que serão abordados em paralelo e, por enquanto, só de maneira indireta, embora "seguiremos buscando que se façam de maneira direta", ressaltou De Mistura em entrevista coletiva.

Das quatro questões, três estão definidas na resolução 2254 do Conselho de Segurança, que prevê a criação de um governo crível, inclusivo e não sectário em um prazo de seis meses, e um calendário e processo para a elaboração, também em seis meses, de uma nova Constituição.

Além disso, estabelece a realização de eleições livres e justas supervisionadas pela ONU e com participação da diáspora elegível em um espaço de 18 meses.

O quarto assunto que será acrescentado agora a pedido do regime de Damasco tenta responder "dentro do contexto do processo de transição política aos temas relacionados com a estratégia da luta antiterrorista, a governança de segurança e medidas de criação de confiança de médio prazo", explicou De Mistura.

O enviado da ONU antecipou que "a estratégia antiterrorista" será tratada em Genebra nas próximas rodadas, enquanto em Astana as partes concretizarão na prática esta questão, dado que é na capital cazaque onde Irã, Rússia e Turquia trabalham para manter o cessar-fogo em vigor na Síria desde dezembro.

"Uma vez que as partes deixem de lutar permanentemente podem se concentrar plenamente nos grupos terroristas, que por definição da ONU são dois: o Estado Islâmico e Al Nusra", ex-filial da Al Qaeda na Síria denominada agora Frente da Conquista do Levante, destacou De Mistura.

O diplomata salientou que os processos de Astana e Genebra são, em qualquer caso, "complementares e se reforçam mutuamente".

Além disso, tudo isso implicará em abordar outros aspectos importantes para os sírios, como o acesso de ajuda humanitária e a libertação de todos os presos, segundo De Mistura.

"Escutamos coisas interessantes por parte do governo a respeito da possibilidade concreta de uma troca de detidos e de sequestrados", no primeiro caso por parte do regime sírio e no segundo por parte dos grupos rebeldes, detalhou.

De novo, o lugar para abordar este assunto será Astana, disse De Mistura, que afirmou que as partes "devem agora buscar um acordo marco com um pacote político pactuado, de modo que o processo de transição possa ser aplicado como estipula a resolução 2254".

O enviado especial da ONU para a Síria ressaltou ainda que não tem planos alternativos para estas negociações.

"Meu 'plano B' é a resolução 2254 e meu 'plano C' é a 2254", disse o diplomata, que viajará nos próximos dias a Nova York para informar ao secretário-geral da ONU, António Guterres, das negociações em Genebra e posteriormente convocará de novo às partes, provavelmente ainda em março.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos