DUP e Sinn Féin lideram eleições norte-irlandesas

Javier Aja.

Dublin, 3 mar (EFE).- O majoritário Partido Democrático Unionista (DUP) e o Sinn Féin se firmam como os mais votados nas eleições autônomas realizadas nesta quinta-feira na Irlanda do Norte após o colapso do governo de poder compartilhado, enquanto continua hoje a apuração dos sufrágios.

O partido nacionalista, antigo braço político do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA), obteve 27,91% de votos de primeira preferência, contra 28,06% do DUP, que defende as 38 cadeiras conseguidas nas eleições regionais de maio de 2016, frente às 28 do Sinn Féin.

Embora a diferença seja mínima, na apuração final a balança pode pender significativamente para um dos dois grandes partidos após a transferência de votos de outras legendas, como permite o complexo sistema eleitoral norte-irlandês, cujo resultado deve sair amanhã, sábado.

Seja como for, DUP e Sinn Féin voltarão a dominar a Assembleia de Belfast, que passará de 108 para 90 parlamentares, e durante as próximas três semanas terão que negociar a formação de um novo governo de poder compartilhado, apesar de terem profundas diferenças.

A grande atuação dos nacionalistas coincide com a chegada à liderança do partido de Michelle O'Neill, em substituição ao histórico Martin McGuinness, que em janeiro abandonou a política por uma grave doença.

Poucos dias antes, McGuinness, comandante do IRA durante parte do conflito na Irlanda, tinha renunciado a seu posto de vice-ministro principal por um caso de corrupção na política de energias renováveis do governo do líder do DUP, Arlene Foster, o que provocou sua queda e a convocação de novas eleições.

Apesar desse escândalo financeiro, a ex-ministra principal também está a caminho de conseguir um bom resultado que, assim como Michelle, o atribuiu à mobilização do eleitorado no pleito mais importante desde a assinatura do Acordo da Sexta-Feira Santa em 1998, que pôs fim a quase quatro décadas do sangrento conflito.

Perante os desafios que a saída do Reino Unido da União Europeia apresenta, a população respondeu ao chamado dos partidos e um total 812.783 norte-irlandeses, 64,8% do eleitorado, exerceram ontem seu direito ao voto, contra os 54,9% que foram às urnas há 11 meses.

Neste sentido, o presidente do Sinn Féin, Gerry Adams, afirmou hoje em Belfast que a província rejeitou nas urnas o "Brexit", perante a possibilidade deste divórcio provocar o restabelecimento de uma fronteira estrita com a República da Irlanda e danificar a economia e o processo de paz.

Tampouco o DUP, que fez campanha a favor da saída do bloco comunitário, quer a volta das "fronteiras do passado" e, embora defenda a permanência da região no Reino Unido, pede que Bruxelas conceda à autonomia um status especial.

Seu temor é que, com o auge do nacionalismo, o Sinn Féin aumente seus esforços para conseguir a convocação de um referendo sobre a reunificação da ilha, após a Irlanda do Norte rejeitar o "Brexit" na consulta do último dia 23 de junho.

Até a chegada desse hipotético dia, os nacionalistas também defendem que a região tenha uma posição especial no bloco comunitário após a saída do Reino Unido.

"Qualquer que seja sua postura sobre a questão constitucional, a única maneira de parar o restabelecimento de uma fronteira entre um Estado europeu e o Estado britânico nesta ilha é através de um status especial", ressaltou Adams.

Por trás dos grandes partidos, acompanhando a situação de longe, estão o Partido Unionista do Ulster (UUP), o Partido Social-Democrata Trabalhista (SDLP, nacionalista) e o multirreligioso Partido Aliança, legendas que decidiram deixar o Executivo de poder compartilhado após as eleições de 2016.

Se, como tudo indica, estes partidos decidirem ficar na oposição na próxima legislatura, o DUP e o Sinn Féin estão condenados a se entender não só quanto a questões relacionadas com a política social ou linguística, mas também sobre o "Brexit".

Os Executivos britânico e irlandês advertiram que se os dois partidos majoritários não chegarem a um pacto de governabilidade em três semanas, a autonomia norte-irlandesa poderia ser suspensa e controlada diretamente desde Londres.

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