Em zonas rurais da América Latina, mulher sofre diferentes tipos de pobreza

Alberto Peña.

Assunção, 3 mar (EFE).- As mulheres das zonas rurais da América Latina e do Caribe sofrem com a pobreza de renda, de recursos e com a escassez de tempo, que cobra seu preço em "atividade produtiva e reprodutiva", essa é a opinião da oficial de gênero da Organização da Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), Claudia Brito.

Para ela, a pobreza multidimensional faz com que essas mulheres perpetuem seu papel de "cuidadora do lar, das crianças e das tarefas da casa".

Dominicana, ela viajou para Assunção para acompanhar os projetos do tema entre a FAO e o governo e afirmou que uma das dimensões dessa pobreza está "na questão da obtenção de renda" através das atividades das mulheres no trabalho da terra e em outros meios de sustento, como o artesanato.

Segundo Claudia, o desprovimento econômico se associa a uma pobreza de recursos no meio onde trabalham, com "falta de assistência técnica e serviços de inserção rural, a falta de espaços de capacitação e a falta de espaços de fomento para a participação comunitária e política". Estes fatores se aliam à dimensão da pobreza da mulher rural na região: a falta de tempo, que aparece quando ela se vê dedicada à produção para a alimentação e se transforma no "suporte e na garantia da segurança alimentar e nutricional".

"Não temos dúvida de que essa segurança alimentar deve vir pelos esforços públicos para também erradicar essa pobreza de renda e de recursos e que o trabalho da mulher em termos de segurança alimentar e nutricional não comprometa seus direitos e autonomia", acrescentou.

Segundo ela, a solução para essa situação não passa exclusivamente por remunerar essas tarefas até agora não reconhecidas, mas por medidas estruturais.

"Falamos das leis de emprego, de pisos mínimos de seguridade social em termos de saúde. São questões muito mais estruturais do que encontrar uma solução, talvez midiática, de pagar pelo trabalho não remunerado das mulheres", especificou.

Para ela, debates regionais são ideias para estabelecer agendas de políticas públicas que articulem a intersetorialidade dos atores públicos para melhorar a situação da mulher do campo na América Latina.

"Existe uma gama de instituições que estão vinculadas e se essa institucionalidade não consegue articular, nem ter processos de formação exaustivos em termos dos direitos das mulheres. É complexo realizar políticas públicas. Esses são os temas centrais para a gente hoje em dia", afirmou.

Claudia deu como exemplo a Agenda 2030 dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), que tem o quinto tópico dedicado à igualdade de gênero, como forma de articular em nível internacional ações concretas que possam posteriormente ser desenvolvidas nacionalmente.

"A FAO está trabalhando fortemente na construção e no apoio a espaços de diálogos fundamentais para conseguir alguns consensos e instalar uma agenda clara sobre as mulheres rurais da América Latina e do Caribe", afirmou.

Apesar da importância das decisões globais e regionais, ela destacou que não dá para esquecer as diferenças e as particularidades de cada grupo de mulheres em níveis nacional e local e, por isso, as política públicas na prática devem se adaptar a cada realidade.

"Quando baixa uma agenda do nível regional e em nível nacional é preciso modificar muitas coisas por essa natureza diferenciada entre as mulheres. Não podemos falar nem comparar uma mulher caribenha, por exemplo, com uma mulher do sul da América Latina", defendeu.

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