Erdogan diz que Alemanha deveria ser processada por proteger terroristas

Ancara, 3 mar (EFE).- O presidente da Turquia, o islamita Recep Tayyip Erdogan, criticou nesta sexta-feira os cancelamentos de atos de vários ministros turcos na Alemanha e disse que o país deveria ser "processado" por proteger terroristas.

"Não deixam meu ministro da Economia falar. (A Alemanha) deveria ser julgada por proteger e acolher terroristas", afirmou o chefe do Estado durante discurso em Ancara.

Erdogan recuperou assim uma acusação que a Turquia formulou várias vezes contra a Alemanha: que o país acolhe e protege terroristas.

"Neste momento, há centenas de terroristas fazendo terrorismo", disse Erdogan.

O presidente turco também lembrou que em agosto do ano passado o Tribunal Constitucional alemão proibiu a transmissão de um discurso seu durante a marcha realizada na cidade de Colônia contra a fracassada tentativa de golpe militar de 15 de julho na Turquia.

Desde quinta-feira, foram cancelados na Alemanha três atos nos quais discursariam ministros turcos para fazer campanha a favor da reforma constitucional para entregar ao chefe do Estado todo o poder executivo, que será decidida em referendo no dia 16 de abril.

"Meu ministro da Justiça participaria de um encontro para falar ao povo sobre esta campanha, mas não o deixaram falar, dizendo que não havia estacionamento suficiente", declarou Erdogan.

O político conservador se referiu assim ao cancelamento de ontem, horas antes, de um ato em Gaggenau (sul da Alemanha), onde a prefeitura considerou que a afluência de público seria muito maior que a inicialmente prevista, o que criava problemas de segurança e logística.

Também foi anunciado ontem que não seria autorizado o ato que teria como protagonista o titular de Economia turco, Nihat Zeybekci, em Colônia, já que o local escolhido não tinha permissão para receber atividades políticas, e hoje os responsáveis de um pavilhão em Frechen negaram a permissão a outro comício do ministro.

Ainda está mantido um discurso de Zeybekci em Leverkusen no domingo, segundo os organizadores, que destacaram que será um pequeno ato sem caráter político.

Cerca de três milhões de pessoas de origem turca vivem na Alemanha, 1,4 milhão delas com direito a voto na Turquia, e formam a maior comunidade de expatriados da União Europeia.

Erdogan também se referiu ao jornalista alemão-turco Deniz Yücel, detido há duas semanas, assegurando que é um agente ao serviço da Alemanha.

"Durante um mês, essa pessoa se escondeu no consulado da Alemanha como um agente alemão. E quando dissemos que essa pessoa tinha que ser processada, não o entregaram", afirmou o chefe do Estado durante um discurso em Istambul.

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