DUP perde maioria na Irlanda do Norte com auge do Sinn Féin

Dublin, 4 mar (EFE).- O Partido Democrático Unionista (DUP) perdeu a maioria na Assembleia autônoma norte-irlandesa após o auge do Sinn Féin nas eleições antecipadas realizadas na quinta-feira pelo colapso do governo de poder compartilhado entre protestantes e católicos, segundo os resultados divulgados neste sábado.

A formação liderada por Arlene Foster obteve 28 das 90 cadeiras em jogo, enquanto o Sinn Féin de Michelle O'Neill conseguiu 27, resultados que os afiançam como os principais representantes de suas comunidades e os obrigam a negociar em três semanas a criação de um Executivo de poder compartilhado.

Na sequência, o nacionalista Partido Social-Democrata e Trabalhista (SDLP) ficou com 12 cadeiras, e o Partido Unionista do Ulster (UUP) com 10. Como resultado, pela primeira vez, as forças protestantes perderam a simbólica maioria na Assembleia autônoma.

Com esta reviravolta histórica na política local, o DUP fica abaixo das 30 cadeiras que conseguiram até agora o direito a veto na Assembleia e que gerou tensões com o Sinn Féin por sua oposição em questões sociais como o casamento homossexual, o aborto e a política linguística.

"Acredito que é um grande dia para a igualdade, é um grande dia para a democracia", declarou a nova líder do Sinn Féin, Michelle O'Neill, após suas primeiras eleições à frente do partido que durante anos foi dirigido no norte da Irlanda pelo histórico Martin McGuinness, comandante do já inativo Exército Republicano Irlandês (IRA) durante parte do passado conflito.

Foster agora pode ser questionada, pois os resultados aprovam a posição dos nacionalistas em relação à sua incapacidade para liderar o próximo Executivo até que seja esclarecido seu envolvimento em um caso de corrupção na política de energias renováveis do governo em fim de mandato.

Esse escândalo financeiro levou McGuinness a renunciar em janeiro ao posto de vice-ministro principal e provocou a queda do líder unionista e obrigou Londres a convocar essas eleições antecipadas, apenas 11 meses após o pleito de maio de 2016.

Pouco depois, McGuinness anunciou também que abandonava a política por uma grave doença e passava o bastão a O'Neill, de 40 anos e sem conexão direta com a luta armada, o que se interpreta como o começo do processo de regeneração do partido no norte, uma estratégia respaldada nas urnas.

Além disso, a saída do Reino Unido da União Europeia (UE) pesou no eleitorado norte-irlandês, que rejeitou o "Brexit" em junho do ano passado, embora este divórcio contasse com o apoio do então majoritário DUP e a oposição do Sinn Féin. Com estas diferenças sobre a mesa, os partidos têm três semanas para formar governo.

Os governos britânico e irlandês advertiram que se as duas formações majoritárias não chegarem a um pacto de governabilidade em três semanas, a autonomia norte-irlandesa pode ser suspensa e controlada diretamente de Londres.

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