China confisca alimentos sul-coreanos após medidas para acelerar THAAD

Pequim, 5 mar (EFE).- As autoridades da China confiscaram duas cargas de alimentos procedentes da Coreia do Sul por supostas irregularidades, na última medida de Pequim após os passos dados por Seul para acelerar a instalação do sistema antimísseis THAAD.

O Escritório de Inspeção e Quarentena de Dayaowan, na província de Liaoning (nordeste), devolveu um dos lotes recebidos por incompatibilidade entre as datas de produção e as de etiquetamento, como mostravam os certificados sanitários que os acompanhavam, informou a agência oficial chinesa "Xinhua".

Além disso, funcionários do escritório de Alfândegas destruíram uma segunda carga com produtos que também não cumpriam os padrões chineses, segundo a mesma fonte, e que junto com o lote anterior somavam um total de duas toneladas de comida, avaliadas em quase US$ 9.000.

O anúncio de Seul na semana passada sobre a compra dos terrenos que abrigarão o escudo antimísseis americano THAAD não foi bem recebido por Pequim, cujo porta-voz das Relações Exteriores, Geng Shuang, garantiu que serão adotadas "as medidas necessárias" para proteger seus interesses contra este movimento.

Além disso, Geng reprovou a atitude "desrespeitosa" do país vizinho por colaborar com os Estados Unidos na instalação do sistema, que considera que pode servir para obter dados de inteligência de suas bases militares mais próximas.

Segundo informou o Ministério da Defesa sul-coreano, o Executivo assinou o acordo do THAAD com o conglomerado empresarial Lotte que, entre outros negócios, possui mais de 80 supermercados do mesmo nome em toda a China.

Ao ser perguntado por possíveis medidas do governo chinês contra o mencionado grupo e várias informações sobre um suposto boicote a seus produtos, Geng declarou não ter constância dos fatos e afirmou que a China está aberta ao investimento estrangeiro, "sempre e quando as empresas estrangeiras cumpram com a legislação".

Em linha com esta tendência anticoreana, várias agências de viagens chinesas suspenderam no início da semana a venda de pacotes turísticos à Coreia do Sul, cujas próprias companhias aéreas já toparam com a recusa do governo chinês para operar voos charter a seu país.

A Administração Nacional de Turismo da China (CNTA, na sigla em inglês) recomendou na sexta-feira em comunicado aos viajantes chineses que pretendem deslocar-se à Coreia do Sul que "estudem seriamente" os riscos da viagem, segundo o jornal "Global Times".

Seul anunciou neste sábado a criação de uma equipe de trabalho para lidar com o aparente bloqueio e estabelecer estratégias de proteção para suas companhias, assim como para seus cidadãos residentes e de visita na China.

Em um aparente boicote a produtos culturais da Coreia do Sul, a China não estreou nenhum filme sul-coreano no ano passado, as estrelas do K-Pop desapareceram da televisão chinesa desde o último verão e seus shows foram adiados.

Após sua reticência inicial, a Coreia do Sul aceitou a proposta dos EUA de abrigar o THAAD - cuja instalação está prevista para este ano - por causa do aumento de testes armamentistas do regime norte-coreano desde o início de 2016.

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