Esposa de Fillon afirma que fazia "tarefas muito variadas" para o marido

Paris, 5 mar (EFE).- A esposa do candidato da direita às eleições presidenciais da França, François Fillon, disse que fazia "tarefas muito variadas" como assistente parlamentar do marido, ao qual recomendou que continue "até o final" na candidatura.

Em entrevista publicada neste domingo por "Le Journal du Dimanche", Penelope Fillon falou pela primeira vez publicamente sobre o escândalo que afeta a campanha do marido e alegou fazer essas declarações por iniciativa própria, não por motivações políticas. Segundo ela, o objetivo é acabar com os "rumores loucos".

Sobre a suspeita de que foi contratada com empregos fictícios pelo marido e também pelo deputado Marc Joulaud entre 1998 e 2013 com alguma interrupção, sendo remunerada com dinheiro público, sua explicação é que fazia um trabalho real.

"Meu papel era ajudar na relação do eleito com o povo. Eu me encarregava do e-mail junto com a secretária, preparava para o meu marido notas e fichas sobre as manifestações locais, fazia uma espécie de revista da imprensa local, o representava em manifestações, relia seus discursos", , esclareceu, ao insistir que sempre esteve associada à carreira política do marido.

François Fillon "tem uma confiança total em mim pela minha discrição, mas também pela minha lealdade. Digo a verdade, o que nem sempre ocorre com colaboradores. E ao contrário de outros, eu não o abandonarei", pontuou.

A esposa de Fillon, que afirma ter respondido a todas as perguntas dos investigadores quando foi interrogada por este assunto no mês passado e que diz confiar na justiça, alega que entregou documentos para provar a realidade do trabalho exercido.

"São e-mails com anotações que provam que passaram por mim; trocas de e-mails com outros colaboradores. Quem guarda documentos desse tipo por dez, quinze ou vinte anos?", disse ela, ao especificar que a maior parte das notas que fazia para Fillon não foram guardadas, principalmente as anteriores a 2007.

Perguntada se não poderia ter feito tudo isso sem ter sido paga (recebeu 500 mil euros brutos de dinheiro público), Penelope argumentou que o marido, como deputado, "necessitava que alguém fizesse essas tarefas muito variadas" e que se não fosse ela, outra pessoa teria que ser paga para isso.

Quanto às razões para encerrar seu emprego como assistente parlamentar, Penelope justificou que em 2013 François Fillon decidiu se preparar para as eleições presidenciais de 2017 e ela resolveu concluir os estudos de literatura inglesa que tinha começado em 2006.

Penelope Fillon também negou que tenha sido fictício o emprego de conselheira literária que teve em uma publicação propriedade de um milionário amigo do marido, "La Revue dês Deux Limpes".

Ela disse que entregou aos investigadores "dez notas" de críticas de livros que entregou - duas foram publicadas -, e reconheceu que se demitiu por ter percebido "uma certa hostilidade" em alusão a sua relação com o diretor da revista, Michel Crépu, ao qual nem sequer foi apresentada.

A esposa do líder da direita, que se diz de natureza "reservada", admitiu que "a associação do nome com este imenso escândalo" fez "muito mal" a Fillon.

Sobre a continuidade do marido na campanha eleitoral, Penelope disse confiar em Fillon e "no que quer fazer pela França", pois acredita que "vale a pena".

"Disse a ele que é preciso continuar até o final. Ele decidirá. É o único candidato que tem a experiência, a visão, o projeto e a determinação necessária para comandar a França", declarou.

A entrevista é publicada em um dia-chave para o futuro da candidatura presidencial de Fillon, que nesta tarde espera mobilizar milhares de pessoas que o apoiam em Paris em resposta aos pedidos para que desista da disputa por conta do escândalo.

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