Forças iraquianas se aproximam do complexo governamental do oeste de Mossul

Yáser Yunes.

Erbil (Iraque), 5 mar (EFE).- As forças iraquianas entraram neste domingo no complexo governamental situado na metade oeste de Mossul (norte) e estão dispostas a retomar o lugar das mãos dos terroristas Estado Islâmico (EI), que ainda controlam grande parte desse trecho da cidade.

O comandante da Polícia Federal, o marechal Raed Shaker Jawdat, disse à Agência Efe que suas unidades estão a alguns metros do complexo governamental, também chamado "quadrado de segurança". Yaudat afirmou que o controle desses edifícios "vai determinar a batalha pela libertação de Mossul em nível estratégico e moral", por conta do simbolismo e da localização, no centro da metade oeste.

A Polícia entrou hoje nos bairros de Al Dauasa, Al Dendan e Nabi Shiet, onde matou dezenas de combatentes do EI e destruiu 14 carros-bomba e seis posições de franco-atiradores do grupo radical localizadas em edifícios públicos e em casas particulares.

Moradores da região relataram à Efe que helicópteros - provavelmente americanos - bombardearam intensamente o complexo governamental e lançaram dezenas de mísseis. Zaid al Hamadany, morador da região, disse à que os aparelhos dão apoio as tropas em terra e que membros do EI ainda estão dentro do complexo.

Por sua vez, o comandante das Forças Antiterroristas, Abdel-Wahab al-Saadi, afirmou à Efe que seus homens avançaram nos bairros de Al Samud, Al Mansur e Al Shuhada, no sudoeste de Mossul. Nessa área, eles mataram dezenas de jihadistas e repeliram vários ataques suicidas lançados pelo EI com carros-bomba.

As forças iraquianas se aproximaram também da estação ferroviária de Uadi Hayar, onde foram registrados intensos combates e onde os militares tiveram o apoio da aviação governamental.

Ao mesmo tempo, em Tal Afar as milícias lideradas por xiitas da Multidão Popular conseguiram dominar a cordilheira que leva à estrada de Aayadiya, perto de Al Janazir, segundo um comunicado do grupo. As milícias pró-governo estreitaram o cerco em torno de Tal Afar, 60 quilômetros ao oeste de Mossul e um dos poucos redutos ainda controlados pelo EI na província de Ninawa, da qual Mossul é capital.

Mais de 57 mil pessoas foram obrigadas a sair da parte ocidental de Mossul desde o início da ofensiva, em 19 de fevereiro, informou o Ministério de Migrações do Iraque neste domingo. Em comunicado, o ministro Jassim Mohammed Al-Jaaf afirmou essas pessoas receberam ajuda básica e alimentos. Conforme a nota do órgão, o governo pode dar refúgio para até 100 mil nos acampamentos feitos com essa finalidade.

Mais cedo, a Organização Internacional de Migrações (OIM) revelou que 45.714 pessoas fugiram dos combates no oeste de Mossul nos últimos nove dias. Os deslocamentos começaram no ia 25 de fevereiro, quando as forças iraquianas entraram no centro urbano do oeste de Mossul.

De acordo com o Conselho Provincial de Ninawa, o processo de registro e mudança está sendo lento porque é preciso passar, primeiro, pelos controles de segurança e os acampamentos ao sul de Mossul estão cheios. Por isso, alguns estão sendo levados a Al Jazer, cerca de 30 quilômetros ao leste da cidade.

Hosamadin al Abar, membro do Conselho, disse à Efe que os abrigos estão com escassez de recursos, principalmente água potável e tendas para os refugiados. Segundo ele, algumas vezes chegam até 5 mil pessoas em um só dia neste locais, administrados pelas autoridades iraquianas, em parceria com organismos internacionais e ONGs. O deputado provincial destacou que várias famílias da região se ofereceram para receber os deslocados em suas casas.

A retirada dos civis do oeste de Mossul está sendo dificultada pela distância até os acampamentos e pela falta de uma ponte que ligue os dois lados do Rio Tigre. FE

ya/cdr

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