Califórnia, um bastião de resistência contra Donald Trump

David Villafranca.

Los Angeles (EUA), 6 mar (EFE).- Quase dois meses depois da chegada de Donald Trump à Casa Branca, a Califórnia se consolidou como um dos principais focos de resistência às medidas do presidente americano, mostrando sua oposição tanto pela via política como com protestos nas ruas.

No estado mais populoso dos Estados Unidos (quase 40 milhões de pessoas), a grande maioria votou nos democratas nas últimas eleições presidenciais (8,8 milhões apostaram em Hillary Clinton frente a 4,5 milhões que expressaram sua confiança no republicano Trump), uma primeira amostra que, em geral, os californianos não comungam com as ideias do magnata em temas como a imigração e a mudança climática.

Na última semana se soube que Xavier Becerra, procurador-geral da Califórnia e contundente opositor a Trump, abrirá um escritório em Washington para levar sua batalha ao terreno federal.

"As decisões que vão afetar à Califórnia serão tomadas em Washington, e acredito que é importante que meu escritório tenha presença aqui", disse o procurador ao jornal "Los Angeles Times", em uma das várias declarações das autoridades californianas contra Trump nas últimas semanas.

No final de janeiro, o governador da Califórnia, o democrata Jerry Brown, marcou o tom de resistência em seu discurso anual sobre a situação do estado.

"Que não fique nenhuma dúvida: defenderemos a todos, a cada homem, mulher e criança, que tenha vindo à Califórnia para buscar uma vida melhor e tenha contribuído à prosperidade de nosso estado", disse Brown ao ressaltar que os imigrantes são "uma parte integral" do que é a entidade.

Segundo o censo de 2015, quase quatro de cada dez californianos são de origem latina, razão pela qual as controvertidas medidas migratórias de Trump são um tema de máxima preocupação no estado.

A oposição ao muro entre Estados Unidos e México, a rejeição ao polêmico veto migratório a países de maioria muçulmana e as críticas às batidas do Serviço de Imigração e Alfândegas (ICE) das últimas semanas predominam na atualidade política da Califórnia.

A imigração não é o único ponto de choque com Trump, já que os representantes políticos da Califórnia também se preparam para uma eventual ofensiva federal contra o combate à mudança climática, a Lei de Cuidado Acessível da Saúde (ACA) e a legalização da maconha.

Em declarações à Agência Efe, o congressista democrata da Califórnia, Jimmy Gómez, comentou que não lhe surpreendeu a rejeição a Trump em seu território: "Acho que a resposta da Califórnia foi exatamente a que se poderia esperar quando se enfrenta um ataque a nossos valores".

Gómez acrescentou que "se há um lado positivo" das últimas eleições é que as "degradantes ações" de Trump estimularam a participação política de pessoas que, em outras ocasiões, ficavam à margem.

"Os californianos são agora mais conscientes que nunca de que votar importa e que o que acontece em Washington nos afeta localmente. No longo prazo, sou ainda otimista", declarou.

A resistência contra Trump na Califórnia não chegou só dos círculos políticos, já que os cidadãos, convocados por organizações de diversos setores, se lançaram às ruas de maneira massiva em várias ocasiões.

A maior delas foi a "Marcha das Mulheres", que em Los Angeles reuniu centenas de milhares de pessoas um dia depois da posse de Trump, embora também tenham ocorrido novos protestos nos aeroportos ou em defesa dos imigrantes.

"A Califórnia está mostrando o que é: liderança verdadeira ao redor da defesa, honra e proteção de sua população imigrante", disse à Efe Jorge-Mario Cabrera, diretor de comunicações da Coalizão pelos Direitos Humanos dos Imigrantes de Los Angeles (CHIRLA).

Em sua opinião, a Califórnia é um exemplo que "se podem conseguir mudanças paulatinas" se a comunidade migrante "seguir brigando por seus direitos e seguir avançando em sua participação cívica", embora estas transformações requeiram tempo, já que não se dão "da noite para o dia".

Nesse sentido, Cabrera defendeu que se continue educando os imigrantes sobre seus direitos constitucionais contra o "caos, a confusão e o sofrimento" que estão sendo promovidos pelo governo Trump.

Com uma realidade social muito diferente à dos estados nos quais a mensagem de Trump triunfou e com suas duas indústrias mais icônicas - Hollywood e Vale do Silício - posicionadas contra o presidente, algumas vozes na Califórnia pedem a secessão com o movimento conhecido popularmente como "Calexit" (um trocadilho com o "Brexit", a saída britânica da União Europeia).

Os defensores desta campanha, que salientam que Califórnia é a sexta maior economia do mundo, confiam em realizar em 2019 um plebiscito sobre sua independência ou continuidade nos Estados Unidos.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos