Combates entre exército e rebeldes deixam vários mortos em Mianmar

Bangcoc, 6 mar (EFE).- Um número indeterminado de pessoas morreu nesta segunda-feira durante os combates ocorridos entre o exército e um grupo rebelde no noroeste de Mianmar, perto da fronteira com a China, informam veículos de imprensa locais.

Testemunhas relataram ao site de notícias "Democratic Voice of Burma" que os enfrentamentos explodiram no início desta segunda-feira no vilarejo de Laukkaing, no estado de Shan, quando membros do Exército da Aliança Democrática Nacional de Mianmar, da minoria kokang, lançaram um ataque contra um destacamento militar.

Segundo a fonte, várias pessoas morreram e outras ficaram feridas pelo fogo cruzado e pelo uso de artilharia nesta cidade, que fica a menos de dez quilômetros da fronteira com a China.

O escritório da conselheira de Estado, liderado pela ganhadora do Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, confirmou em comunicado a existência de mortos entre os civis, segundo a fonte.

A ofensiva acontece na mesma região onde foram registrados duros enfrentamentos no final de 2015 entre as autoridades e uma aliança de vários grupos armados, que terminaram com cerca de 160 mortos e obrigaram milhares de pessoas a se deslocarem rumo à China.

O governo birmanês, que é liderado 'de facto' por Suu Kyi, quer organizar no fim de março uma conferência para assinar a paz com as minorias étnicas para acabar com um conflito civil de mais de seis décadas.

As guerrilhas, por sua vez, pedem a assinatura de um novo cessar-fogo, a formação de uma união federal e o fim das operações militares do exército birmanês nas regiões das minorias étnicas.

A reunião para as conversas de paz realizada em agosto do ano passado, à qual não foram convidados os rebeldes kokang, acabou com declarações de boas intenções, mas sem grandes acordos.

Esse diálogo não deteve na época novas ofensivas por parte do exército birmanês, ao qual a Constituição concede amplos poderes, incluído o controle dos ministérios da Defesa, Interior e de Fronteiras, além de poder de veto no parlamento.

Uma maior autonomia é a reivindicação principal de quase todas as minorias étnicas de Mianmar, incluídos os chin, os kachin, os karen, os kokang, os kayah, os mon, os rakain, os shan e os wa, que juntas representam mais de 30% dos 48 milhões de habitantes do país.

Mianmar foi governada por generais de 1962 até 2011, quando começou uma transição tutelada pelos militares que desembocou nas eleições de 2015, que foi vencida pelo movimento democrático de Suu Kyi.

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