Doleiros de Cabral detidos no Uruguai aguardam pedido de extradição

Montevidéu, 6 mar (EFE).- Os brasileiros Vinícius Claret e Cláudio Fernando Barbosa, suspeitos de envolvimento em lavagem de dinheiro no esquema do ex-governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, estão detidos preventivamente desde o sábado em Montevidéu, no Uruguai, à espera de um pedido formal de extradição do Brasil, disse nesta segunda-feira à Agência Efe o promotor do caso, Carlos Negro.

O promotor especificou que no último sábado, em uma operação conjunta entre a polícia uruguaia e a Polícia Federal do Brasil, Claret, que também é conhecido como 'Juca Bala', foi detido em Maldonado, no sudeste do Uruguai, e Barbosa no Aeroporto de Carrasco, nos arredores de Montevidéu, por causa de uma ordem de captura internacional apresentada pela Justiça brasileira.

Desde então, os dois se encontram em prisão preventiva em uma penitenciária da capital uruguaia à espera do pedido de extradição por parte das autoridades brasileiras, por "crime financeiro e de corrupção", apontou Negro.

"Estamos à espera do pedido formal de extradição do Brasil que deve chegar em um período de até 40 dias, devido às estipulações do tratado. É o simples cumprimento do tratado vigente de extradição do Mercosul, do qual Uruguai e Brasil fazem parte", esclareceu o promotor.

Além disso, Negro ressaltou que "a acusação formal tem que vir com o pedido de extradição". "Seguramente, com o pedido formal de extradição, chegará a informação oficial sobre as acusações que pesam sobre estas pessoas", acrescentou o promotor.

"Até agora, a informação é puramente policial e preventiva, em fase de cooperação internacional à espera do pedido de extradição, que ainda não chegou", afirmou Negro.

No entanto, de acordo com o jornal local "La Diaria", os Claret e Barbosa são acusados de participar do esquema de lavagem de dinheiro das propinas recebidas pelo ex-governador do Rio, Sérgio Cabral, dentro da chamada Operação Calicute.

O jornal uruguaio comentou que 'Juca Bala' foi citado em duas delações premiadas da Operação Calicute como "o encarregado de lavar US$ 100 milhões das propinas de Cabral no exterior em 2007".

O Uruguai é um dos lugares nos quais suspeita-se que Claret lavava o dinheiro, onde contava com a colaboração de duas casa de câmbio, uma legal e outra ilegal, segundo o "La Diaria".

Negro detalhou que nenhum dos detidos foi interrogado a fundo sobre os crimes dos quais são acusados, "porque isto não corresponde neste momento", segundo o promotor.

"Neste momento, eles são simplesmente detidos preventivamente, com um prazo determinado, para dar tempo necessário para que as autoridades brasileiras façam um pedido formal de extradição, se é que o farão. Se não, eles serão colocados em liberdade", concluiu Negro.

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