Enviado da ONU para o Saara Ocidental pede demissão

Nações Unidas, 6 mar (EFE).- O enviado da Organização das Nações Unidas (ONU) para o Saara Ocidental, o americano Christopher Ross, apresentou sua renúncia após oito anos no posto, informou a entidade nesta segunda-feira.

Ross foi nomeado em 2009 pelo anterior secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, e pôs seu cargo à disposição do novo chefe António Guterres por ter conseguido acabar com o conflito entre o Marrocos e a Frente Polisário.

"Não consegui levar às partes outra vez às negociações. Com a escolha de um novo secretário-geral, ofereceu sua renúncia", explicou o responsável de Assuntos Políticos da ONU, Jeffrey Feltman, perguntado sobre o assunto durante uma entrevista coletiva.

A decisão final cabe a Guterres, que assumiu a chefia das Nações Unidas eem janeiro. Por enquanto, Ross "continua sendo o enviado pessoal" do secretário-geral, segundo disse à Agência Efe o porta-voz do diplomata português, Farhan Haq.

Nos últimos anos, Ross foi muito criticado pelo Marrocos, que o considera muito próximo à tese independentista da Frente Polisário e que, em 2012, retirou oficialmente sua confiança nele, embora depois tenha repensado a decisão. Mesmo assim, desde então, as relações seguiram tensas e Rabat boicotou o trabalho do enviado da ONU, por exemplo, impedindo que ele fosse ao território do Saara sob seu controle.

Apesar das tentativas, Ross não conseguiu reunir Marrocos e Polisário e viu a tensão em torno da ex-colônia espanhola aumentar nos últimos meses, principalmente em Guerguerat, perto da fronteira com a Mauritânia.

No dia 26 de fevereiro, o Marrocos anunciou a retirada "unilateral" de suas tropas dessa área, após um pedido de Guterres, preocupado com um possível confronto armado com forças da Frente Polisário que estão lá.

O Conselho de Segurança da ONU tem discutido regularmente a situação no Saara Ocidental nos últimos meses e deverá se debater a fundo este tema no próximo trimestre, quando está previsto o exame anual da missão das Nações Unidas na região (Minurso).

A ONU estabeleceu a Minurso em 1991 para facilitar um referendo sobre o futuro da ex-colônia espanhola, consulta que ainda não foi realizada. Em 2007, o Marrocos apresentou uma proposta de autonomia para a região e considera que essa deve ser a base da negociação, enquanto a Frente Polisário insiste na necessidade de convocar o mais rápido possível o referendo.

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