Farc negam ter pedido algo diferente do estipulado para zonas de reunião

Bogotá, 6 mar (EFE).- As Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) negaram nesta segunda-feira que tenham pedido para algumas das 26 zonas em que se encontram reunidos os guerrilheiros algo além do que foi acordado para seu acondicionamento, como denunciou o Alto Comissariado para a Paz, Sergio Jaramillo.

"O problema é a prepotência do governo. Fizeram contratos que eram distribuições sem levar em conta que isto não é uma questão unilateral, mas bilateral", disse em entrevista coletiva Luis Alberto Albán, conhecido como "Marcos Calarcá", um dos líderes das Farc.

Neste sentido, Albán insistiu que decisões unilaterais afetariam as Farc porque os guerrilheiros "vão viver nesses lugares".

Jaramillo denunciou hoje que parte dos atrasos na adequação das 26 zonas onde estão reunidos os guerrilheiros das Farc para deixar as armas se devem ao fato de vários "comandantes não permitirem avanços".

"Em muitos acampamentos, os mesmos comandantes das Farc não permitiram avanços porque fazem exigências que não correspondem com o que foi acordado com as Farc", afirmou Jaramillo em entrevista coletiva em Bogotá, na qual respondeu a várias denúncias da guerrilha.

Deste modo, o funcionário afirmou que em alguns casos os chefes das Farc solicitaram ginásios e construções robustas que não correspondem com os acampamentos temporários para alojar os cerca de sete mil guerrilheiros que já se encontram nas zonas verdes transitórias de normalização (ZVTN).

O gerente das ZVTN, Carlos Córdoba, denunciou que em alguns casos chegaram a pedir pisos de mármore para os banheiros.

Em referência a outra das zonas que mais gerou discussão, instalada em uma área rural do município de Tumaco, no departamento de Nariño (sudoeste), Córdoba afirmou que as Farc solicitaram a construção de dois ginásios, um estúdio audiovisual, 12 escritórios para comandantes, quartos em alvenaria com ar condicionado, entre outros elementos, o que considerou que "saía de toda proporção".

No entanto, Julián Gallo, conhecido como "Carlos Antonio Lozada", outro dos líderes das Farc, disse que não desejavam gerar "polêmica com o governo", mas acreditam que, desde que foi assinado o acordo de paz, "a implementação dos acordos veio encontrando dificuldades".

Gallo considera que esses problemas não só se limitam ao "caso da infraestrutura e a logística nas ZVTN", como vão além e têm a ver com a lentidão na aplicação da Lei de Anistia para aqueles guerrilheiros que não tenham cometido crimes graves, como os contra a humanidade e abusos sexuais, entre outros.

Muito mais contundente foi o líder máximo das Farc, Rodrigo Londoño, conhecido como "Timochenko", que se mostrou desconcertado com as palavras de Jaramillo, as quais considerou "cínicas".

"Desconcerta-me o cinismo que expressou em entrevista coletiva Sergio Jaramillo. Aqui sobram culpas e é preciso compromisso", afirmou em sua conta no Twitter.

Além disso, disse que é "vergonhoso" que Córdoba use "mentiras para continuar com a propaganda de guerra e ódio contra as Farc". EFE

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