Filipinas convidam Igreja para campanha antidroga "menos sangrenta"

Manila, 6 mar (EFE).- O chefe da polícia das Filipinas, Ronald dela Rosa, declarou retomada nesta segunda-feira a polêmica "guerra contra as drogas", na qual prometeu envolver representantes da Igreja Católica e outras religiões para tornar a campanha "menos sangrenta".

"Temos o objetivo de que este Tokhang (nome em filipino da guerra antidroga) seja uma campanha menos sangrenta, se não carente de sangue totalmente. Por isso envolvemos a Igreja", afirmou Dela Rosa em declarações transmitidas pela emissora local "ABS-CBN".

O diretor da polícia explicou que a partir de agora os agentes "deverão estar acompanhados por representantes da Igreja", assim como de outras religiões, nas operações antidroga, que consistirão principalmente em reabilitar toxicômanos e perseguir narcotraficantes.

"Desta maneira poderemos evitar as acusações de que o Tokhang está por trás dos assassinatos sem solução e nossa Igreja verá que a campanha está orientada a salvar os usuários e encarcerar os traficantes", garantiu.

Para isso, Dela Rosa anunciou a criação do novo Grupo de Controle de Drogas (DEG, na sigla em inglês), que substituirá o desmantelado Grupo Contra as Drogas Ilegais (AIDG), sobre o qual havia suspeitas de corrupção.

Os agentes que fizerem parte do DEG, segundo especificou, passarão por controles exaustivos para evitar que se repitam casos de corrupção como o assassinato do empresário sul-coreano Jee Ick-joo supostamente em uma ação de policiais do AIDG.

"Vamos garantir que (os agentes do DEG) não possam abusar da guerra contra as drogas, porque endurecemos as políticas do Tokhang. (...) Não queremos que ninguém participe das operações sem a supervisão adequada", destacou.

O presidente filipino, Rodrigo Duterte, suspendeu a campanha antidroga no final de janeiro devido a este caso e prometeu realizar uma "limpeza" na polícia nacional antes de retomá-la.

A campanha iniciada com o mandato de Duterte deixou desde junho do ano passado um saldo de 7.080 mortos, dos quais 2.555 foram abatidos pela polícia após supostamente resistir à prisão, 3.603 estão classificados como "mortes sob investigação" e 922 foram casos encerrados sem identificar os culpados, segundo os dados oficiais.

Isto motivou duras críticas de outros países e organizações internacionais, como Human Rights Watch e Anistia Internacional, que consideram que a "guerra contra as drogas" nas Filipinas vulnera os direitos humanos da população.

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