Fillon recebeu empréstimo de 50 mil euros que não declarou, diz jornal

Paris, 7 mar (EFE).- O candidato conservador à presidência da França, François Fillon, recebeu em 2013 do empresário Marc Ladreit de Lacharrière um empréstimo sem juros de 50 mil euros que não declarou, informou nesta terça-feira o semanário satírico "Le Canard Enchaîné".

Ladreit de Lacharrière é um homem de negócios próximo ao líder da direita e proprietário da revista literária "La Revue dês Deux Limpes", para a qual a esposa de Fillon, Penelope, foi contratada como colaboradora.

A nova informação sobre o candidato chega um dia após a cúpula do partido Os Republicanos demonstrar apoio unânime apesar da provável acusação e do candidato apontado como substituto, Alain Juppé, se negar a almejar a candidatura.

O gabinete de um dos advogados do casal Fillon, Pierre Cornut-Gentille, declarou à Agência Efe que não te nenhum comentário a respeito da situação.

No entanto, o advogado Antonin Lévy, que representa Fillon perante os juízes de instrução que o investigam por suposto desvio de recursos, disse à imprensa que o empréstimo "foi reembolsado integralmente" e que os investigadores estão cientes.

A publicação indicou que essa quantia foi oferecida "sem data limite de devolução" e que o atual candidato não a incluiu na declaração de patrimônio perante a Alta Autoridade para a Transparência da Política (HATVP).

"Le Canard Enchaîné" lembrou que pessoas que ocuparam cargos públicos como Patrick Balkany e Serge Dassault foram condenados no passado por esse tipo de "esquecimentos".

O empresário do qual Fillon recebeu o empréstimo foi convocado para depor recentemente como parte da investigação aberta contra o candidato conservador pelos supostos empregos falsos da esposa e de dois filhos.

Ladreit de Lacharrière contratou Penelope Fillon entre maio de 2012 e dezembro de 2013 por cinco mil euros brutos ao mês, mas segundo o então diretor da revista, Michel Crépu, ela só fez duas críticas literárias nesse período.

Os agentes suspeitam que a contratação pode ter sido um favor depois que Ladreit de Lacharrière recebeu em 2010, a pedido de Fillon, então primeiro-ministro, a Grande Cruz da ordem nacional da Legião de Honra, uma das principais distinções do país.

A publicação acrescentou que os investigadores averiguam se Fillon subvalorizou o preço de sua mansão, avaliada em 750 mil euros, para evitar ser submetido ao imposto sobre a fortuna.

Desde que "Le Canard Enchaîné" revelou o escândalo dos supostos empregos fictícios no final de janeiro, o que levou à abertura de uma investigação, Fillon se apresentou como vítima de uma campanha midiática, política e judicial.

O candidato, chefe do governo do presidente Nicolas Sarkozy entre 2007 e 2012, ressaltou a intenção de não abandonar a corrida eleitoral apesar da provável acusação no dia 15 de março, e garante que mantém o apoio das bases.

A reunião que Sarkozy tinha proposto na segunda-feira para se juntar a Fillon e ao ex-primeiro-ministro Juppé de modo a encontrar uma solução para a crise não será realizada, segundo afirmaram fontes do entorno do ex-presidente.

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