Ministro da Turquia ataca Alemanha em discurso no consulado em Hamburgo

Berlim, 7 mar (EFE).- O ministro de Relações Exteriores da Turquia, Mevlüt Çavusoglu, atacou com dureza a Alemanha nesta terça-feira em discurso perante seus compatriotas na sacada da embaixada turca em Hamburgo, cidade que por motivos de segurança proibiu que fosse realizado um comício público.

"Deixem de nos dar sermões sobre direitos humanos e democracia, (...) só nos ajoelhamos perante Deus, perante ninguém mais", disse Çavusoglu enquanto era ovacionado por turcos residentes de Hamburgo e concentrados perante o consulado, entre várias bandeiras de seu país.

A proibição de atos eleitorais de vários ministros turcos nos últimos dias na Alemanha por motivos formais ou de segurança elevou a tensão entre Berlim e Ancara, que acusou o governo alemão de recorrer a "práticas nazistas".

Sob forte esquema de segurança, Çavusoglu saiu até a sacada do consulado e acusou a Alemanha de impedir os representantes do governo turco de fazer campanha pelo "sim" no referendo sobre a reforma constitucional, que será realizado em abril para transformar a Turquia em uma república presidencialista.

"Isso não é amizade", advertiu o ministro em discurso transmitido ao vivo pela televisão.

Após criticar a proibição da realização do comício, Çavusoglu denunciou as "pressões" diretas da polícia a um cidadão turco que ofereceu suas instalações para o ato.

"Não podemos aceitar que a Alemanha interfira no referendo", afirmou o ministro, para quem existe uma campanha "sistemática" contra seu país na Europa, onde cresce o racismo e forças políticas xenófobas se aproximam do poder em países como Holanda e França.

Enquanto a Turquia combate o terrorismo - prosseguiu -, na Europa são recebidos e homenageados os seguidores da guerrilha turca do PKK e do clérigo islamita Fethullah Gülen, a quem Ancara atribui a tentativa golpe de Estado do ano passado.

Em reunião com a ala conservadora no parlamento, a chanceler alemã, Angela Merkel, afirmou que não seria inteligente criticar as restrições à liberdade de expressão na Turquia e responder com limitações na Alemanha, segundo fontes do partido citadas pela imprensa local.

Seu ministro do Interior, Thomas de Maizière, atribuiu os ataques de Ancara a uma "provocação consciente" para aumentar a participação eleitoral na Alemanha, onde vivem cerca 1,4 milhão de cidadãos de origem turca com direito a voto no referendo da Turquia.

As críticas cruzadas em torno deste plebiscito e os cancelamentos de atos eleitorais na Alemanha se somam à tensão nas relações bilaterais gerada pela detenção em Istambul do correspondente do jornal alemão "Die Welt", acusado de propaganda terrorista.

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