Incêndio em abrigo para crianças deixa 15 mortos e 38 feridos na Guatemala

(Atualiza com mais informações).

San José Pinula (Guatemala), 8 mar (EFE).- Um incêndio deixou 19 mortos e 38 feridos nesta quarta-feira em um abrigo para menores na Guatemala, quando meninas protestavam contra os abusos sexuais e físicos que sofrem.

A secretária-geral do Ministério Público (MP), Mayra Véliz, disse que das 19 vítimas, 17 morreram por conta das queimaduras e a causa das outras duas mortes ainda está sendo investigada.

O defensor de infância e adolescência da Procuradoria de Direitos Humanos Abner Paredes explicou aos jornalistas que, segundo as primeiras investigações, o fogo foi originado pelas próprias meninas em colchões do abrigo Hogar Seguro Virgen de la Asunción, situado no município de San José Pinula.

Cerca de cem pessoas se aglomeraram nos arredores do local e cobraram das autoridades a identificação das vítimas porque nada foi informado até o momento.

Com os olhos chorosos e a cabeça cabisbaixa, pais, mães e irmãos dos jovens exigem saber a verdade. O pai de Pablo, um menino de 14 anos, contou à Agência Efe que o filho está no centro, mas desconhece seu estado de saúde, e denunciou que, assim como muitos outros que estão lá dentro, o menino é vítima de abusos.

"Isso é tráfico humano. É uma porcaria. Ele tem machucados quando venho para vê-lo e se preocupa quando pergunto quem fez isso", disse o pai, que preferiu não ter o nome divulgado.

Um grupo de mulheres comentou os relatos dos menores sobre se são "agredidos e estuprados": "não são criminosos, nem animais. São crianças, são pessoas, são adolescentes", gritou uma delas.

"A comida é uma m... Tudo é um desastre. Aqui, eles tratam pior do que qualquer lugar. Se meu filho era um rebelde, agora está pior. Eles não são nada cuidadosos aqui", comentou outra.

Supostamente, as menores feridas e falecidas tentavam protestando contra os abusos sexuais e físicos que sofrem no abrigo, justamente nesta quarta-feira, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

Embora as funcionárias tenham tentado apagar as chamas com vários extintores, o fogo se propagou rapidamente.

O representante da procuradoria disse à imprensa que o Ministério Público já investiga os fatos e que também espera que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) se pronuncie a respeito das medidas cautelares solicitadas em novembro do ano passado pela instituição.

O abrigo já se envolveu em polêmica no ano passado, quando pelo menos 47 jovens fugiram, o que levou a secretaria da presidência encarregada da guarda e da custódia a destituir o então diretor.

As autoridades averiguam desde então os fatos e uma juíza decretou o fechamento gradual do centro, motivo que levou duas magistradas da Suprema Corte de Justiça, entre elas a ex-presidente da organização Silvia Patricia Valdés, a ir ao local para verificar a situação.

Dezenas de policiais, bombeiros, membros da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (Conred) e da Cruz Vermelha, entre outros, se encontram no local, onde imprensa foi proibida de entrar.

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