Justiça ordena exumação de corpo de filho de Menem morto em desastre aéreo

Buenos Aires, 8 mar (EFE).- Um juiz argentino ordenou nesta quarta-feira a exumação dos restos mortais de um dos filhos do ex-presidente Carlos Menem (1989-1999), cuja morte, embora esteja atribuída à queda de um helicóptero no qual viajava em 1995, é considerada para Zulema Yoma, mãe da vítima, como um atentado.

Segundo explicou à Agência Efe Juan Gabriel Labaké, advogado da ex-esposa de Menem, a ordem do magistrado Carlos Villafuerte de exumar o corpo para voltar a estudar as causas da morte foi um pedido feito há alguns anos à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), mas que não foi aceito até agora porque Yoma não estava "em condições" para enfrentar o processo.

"Os médicos nos aconselharam a esperar, mas agora Zulama está bem e o juiz aceitou", acrescentou o advogado de Yoma, que já em 2014 tornou público que seu ex-marido lhe confessou que a morte de seu filho ocorreu, não por um acidente de avião, mas por um disparo na testa que foi encoberto, algo que não foi provado.

"O juiz se colocou em uma posição neutra. Disse que por causa do pedido da CIDH e de Zulema ordenará que seja feito um exame de DNA. Depois, nos convocará para nomearmos os peritos e ele vai indicar um corpo médico de ofício", ressaltou Labaké.

A decisão ocorre no meio de um périplo judicial que fez com que Villafuerte, titular do Tribunal Federal de San Nicolás, na província de Buenos Aires, convocasse a depor todos os ex-presidentes argentinos vivos posteriores a Menem: Fernando de la Rua (1999-2001), Ramon Puerta (2001), Adolfo Rodríguez Saá (2001), Eduardo Camaño (2001-2002), Eduardo Duhalde (2002-2003) e Cristina Kirchner (2007-2015).

O juiz queria esclarecer se algum deles sabia algum detalhe da morte do filho de Menem, ocorrida há 22 anos. Após encerrada a obrigação de manter segredos governamentais, o ex-presidente afirmou nos tribunais que o ex-chanceler Guido di Tella (morto em 2001) lhe contou que o responsável pela morte era o grupo libanês Hezbollah.

Além disso, Yoma, que sempre defendeu a tese de que o filho não morrem em um acidente, também afirmou que Cristina a disse em uma oportunidade que a morte de seu filho foi um atentado.

Cristina disse ao juiz que, apesar de a morte de Carlos Jr. Menem não ter sido acidente, ela nunca teve acesso a dados específicos da causa da morte como presidente. As únicas informações que ela afirmou ter do caso foram as obtidas com a viúva do ex-presidente, de seus advogados, e dos veículos de imprensa.

"Comprovamos entre as radiografias feitas enquanto ele estava morrendo e as tiradas na autópsia um ano e meio depois que há diferenças muito grosseiras no crânio, no esterno e no pé direito", disse hoje Labaké

"Se provassem que alguns desses órgãos não pertencem a ele, seria uma prova grossa de que mudaram esse órgão porque havia algo raro, um orifício de bala ou algo assim. Nossas provas de que foi um atentado se baseiam fundamentalmente nas perícias balísticas que foram realizadas duas ou três vezes", completou Labaké.

A exumação do corpo do filho de Menem deve ocorrer em abril.

"A autópsia é feita em um dia. Não demora nada. O DNA é um exame lento e pode demorar várias semanas", explicou o advogado.

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