Mulheres reivindicam igualdade real e justa em todo o mundo

Redação Central, 8 mar (EFE).- O mundo celebra nesta quarta-feira o Dia Internacional da Mulher, uma data na qual, mais uma vez, a igualdade real e justa é reivindicada e que serve de alerta para os abusos ainda sofridos por muitas mulheres devido ao preconceito.

Em um grande número de países foram realizadas manifestações e eventos para evidenciar a necessidade de políticas e planos de ação eficazes para reverter a situação, que ultrapassa o âmbito trabalhista e se reflete no espaço familiar, pessoal e social.

Uma greve geral de mulheres, à qual também muitos homens aderiram simbolicamente, foi convocada em 46 países para exigir igualdade de gênero em todos as esferas da sociedade.

O desenvolvimento global será mais eficiente, a paz se tornará duradoura e os direitos humanos estarão melhor protegidos se a mulher adquirir uma plena capacitação em todos os aspectos da sociedade, disse hoje, em Nairóbi, o secretário-geral da ONU, António Guterres. Essa deve ser uma prioridade internacional.

"O machismo deve ser derrotado. Em todas as partes, no mundo todo, temos uma sociedade dominada por homens e grandes dificuldades para eliminar os obstáculos à igualdade de gênero", disse o ex-primeiro-ministro de Portugal.

Guterres está em Nairóbi para celebrar o Dia Internacional da Mulher. A viagem para a capital do Quênia não foi por acaso. A África é um dos continentes nos quais a mulher permanece presa nos degraus mais baixos da economia e da sociedade.

"Os direitos da mulher são direitos humanos. No entanto, nesses tempos tão difíceis, à medida que nosso mundo se torna mais imprevisível e caótico, os direitos das mulheres e meninas são reduzidos, limitados e revogados", disse Guterres.

Em Bruxelas, a comissária de Justiça, Consumidores e Igualdade de Gênero da União Europeia, Vera Jourová, pediu que todos lutem contra o "tabu" da mutilação genital feminina, que considerou como uma "horrível prática criminosa" da qual milhões de meninas são vítimas em todo o mundo.

A taxa de participação trabalhista feminina na América Latina e no Caribe estagnou em torno de 53% e persistem as desigualdades de gênero no mercado, de acordo com um relatório divulgado pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal).

No Chile, a presidente Michelle Bachelet citou como exemplo de redução da desigualdade de gênero o projeto de lei elaborado por seu governo para descriminalizar o aborto em três casos: inviabilidade fetal, risco de vida para a mulher e gravidez por estupro.

Cerca de 3 mil mulheres foram assassinadas na Colômbia entre 2014 e 2016, período no qual também foram registradas 125 mil vítimas de violência doméstica. Além disso, segundo o Instituto Colombiano de Medicina Legal, houve mais de 55 mil casos de abuso sexual.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que antes de chegar à Casa Branca foi muito criticado por suas várias declarações machistas, ressaltou hoje seu "tremendo respeito" pelas mulheres e pediu que o papel fundamental que elas exercem no país e em todo o mundo seja "honrado" por todos.

"Tenho um tremendo respeito pelas mulheres e pelos muitos papéis que elas exercem, e que são vitais para a estrutura de nossa sociedade e nossa economia", disse Trump pelo Twitter.

Manifestações e greves em restaurantes, empresas e outras organizações marcarão o "Dia sem Mulheres" para celebrar a data nos EUA e denunciar os desafios que elas enfrentam no governo Trump.

Em outubro do ano passado, na reta final da campanha eleitoral, Trump recebeu uma série de críticas após a divulgação de um vídeo no qual ele faz comentários abusivos sobre as mulheres com uma linguagem vulgar e ofensiva.

A crise econômica, que entra no nono ano na Grécia, segue afetando mais duramente às mulheres do que aos homens. Elas sofrem com uma taxa de desemprego mais elevada e com uma diferença salarial que chega a 45%, disse a secretária-geral do governo do país, Fotini Kuvela.

Em Paris, milhares de mulheres se reuniram hoje na Praça da República para comemorar a data e denunciar a desigualdade salarial com os homens. Na Itália, o dia foi celebrado com assembleias, atos e greves em diversos setores públicos e privados, passando por transporte, educação e saúde.

No Oriente Médio, a líder palestina Hanan Ashrawi, denunciou que mais de 15 mil mulheres palestinas, muitas delas menores de idade, passaram pelas prisões israelenses desde o início da ocupação dos territórios na região em 1967.

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