ONU pede garantia de trabalho decente para mulheres no campo

Roma, 8 mar (EFE).- As agências da ONU para a alimentação pediram nesta quarta-feira em Roma garantia do trabalho decente para as mulheres no campo com o objetivo de melhorar suas condições de vida e reduzir as lacunas como a salarial, sobretudo nos países pobres.

A Organização da ONU para a Alimentação e a Agricultura (FAO), o Programa Mundial de Alimentos (PMA) e o Fundo Internacional de Desenvolvimento Agrícola (FIDA) pediram em um ato conjunto o redobramento dos esforços para trabalhar com a mulher rural e acabar com a fome e a pobreza.

Maria Helena Semedo, subdiretora geral da FAO, lembrou que as mulheres cobram em média 23% a menos que os homens para realizar o mesmo trabalho, uma diferença ainda maior nas zonas rurais, e que muitas delas ainda trabalham de forma informal e não são reconhecidas nas estatísticas.

"A igualdade de gênero não é uma opção, mas uma obrigação", afirmou o responsável, que expressou a importância de reforçar as capacidades das mulheres para desenvolver negócios diariamente e aproveitar as oportunidades em diferentes setores como a agroindústria e o processamento de alimentos.

Em um contexto global complexo no qual cada vez mais homens emigram dos países pobres e deixam mulheres sozinhas, que devem se encarregar da economia de seus lares, a ONU destacou a necessidade de ajudá-las a tomar decisões no âmbito agrícola.

O vice-presidente do FIDA, Michel Mordasini, apontou que as mulheres no campo têm problemas para acesso ao financiamento, integração no mercado e possuir direitos sobre a terra, ao mesmo tempo que enfrentam condições trabalhistas precárias -que as obrigam a ter vários empregos- e tarefas domésticas sem remuneração.

Mordasini assegurou que a desigualdade de gênero tem um "impacto direto no bem-estar das famílias e resiliência à mudança climática", por isso que não é possível avançar sem a participação das mulheres.

Por sua vez, o subdiretor executivo do PMA, Amir Abdula, insistiu que o acesso ao trabalho decente das mulheres é "fundamental", assim como o fato de que elas controlem os ingressos e possam decidir como gastá-los para garantir a alimentação de suas famílias.

Os representantes também reivindicaram o investimento em tecnologias e infraestruturas para que as mulheres nos países em desenvolvimento possam economizar tempo e não dedicar tantas horas a realizar trabalhos diários como coletar água ou madeira para cozinhar.

Segundo dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), um 30% de todas as pessoas empregadas na agricultura no mundo são mulheres, uma taxa que foi caindo nos últimos anos como consequência de uma transposição de mão-de-obra em direção a serviços.

O setor primário continua sendo a principal fonte de emprego para as mulheres nos países de baixos ingressos como, por exemplo, entre os do Sul da Ásia e África Subsaariana, onde mais de 60% das mulheres trabalhadoras se dedicam a tarefas do campo, frequentemente intensivas e pouco ou nada remuneradas.

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