ONU quer redução de trabalho no lar e mais acesso a emprego para as mulheres

Mario Villar.

Nações Unidas, 8 mar (EFE).- Reduzir a carga de trabalho não remunerado em casa e promover o acesso igualitário ao mercado de trabalho, sobretudo aproveitando a revolução digital, são pontos chave na avaliação da ONU para que a mulher avance em todo o mundo.

As duas prioridades estão no centro do tema escolhido neste ano pela organização para o Dia Internacional da Mulher e do evento com o qual comemorou a data neste ano.

"Queremos construir um mundo de trabalho diferente para as mulheres", afirmou em mensagem a diretora-executiva da ONU Mulheres, Phumzile Mlambo-Ngcuka.

No mundo todo, mulheres e meninas dedicam, segundo a ONU, muitas horas ao cuidado do lar, habitualmente mais do que o dobro do que homens e meninos. Em muitos casos, isso impede que elas tenham acesso à educação, empregos ou que assumam postos de liderança.

"Esse é o mundo imutável do trabalho sem recompensa, uma cena familiar de futuros desolados no mundo todo. As meninas e suas mães sustentam às famílias com trabalho sem pagamento e suas trajetórias de vida são muito distintas da dos homens da casa", disse Ngcuka.

Para a ONU Mulheres é necessária uma mudança radical. As meninas precisam ter as mesmas oportunidades do que os meninos desde a infância, o que requer ajustes na forma como os pais criam as crianças, na educação e nos meios que reforçam esteriótipos sociais, como a televisão e a publicidade.

As alterações devem permitir que as mulheres façam parte da revolução digital e possam concorrer pelos trabalhos melhor remunerados oferecidos pelas novas tecnologias.

Atualmente, apenas 18% dos graduados em cursos ligados à informática são mulheres. Em conjunto, elas ganham em média 23% a menos do que os homens que trabalham no setor.

As mudanças necessárias para que a mulher tenha uma melhor situação no mercado incluem iniciativas como licenças maternidade e paternidade remunerada. E, para promover essas ideias em todo o mundo, a ONU Mulheres recrutou a atriz Anne Hathaway, que hoje estreou no seu papel como embaixadora da agência.

Em discurso na sede das Nações Unidas, Hathaway defendeu a necessidade de criar um mundo no qual mulheres e homens não sejam punidos economicamente pelo desejo de serem pais.

"A suposição e a prática comum que as mulheres e as meninas devem se ocupar do lar é um estereótipo tenaz que não só discrimina a mulher, mas também limita a participação e a conexão do homem", disse a atriz no discurso.

Hathaway disse que a licença para os país após o nascimento dos filhos oferece "liberdade para definir papéis, para escolher como investir o tempo e estabelecer novos ciclos de comportamento".

"Para libertar a mulher, precisamos libertar o homem", disse a atriz, criticando duramente a realidade nos EUA, onde a lei só garante um período de 12 semanas de licença não remunerada para mãe e onde os pais não têm direito a nenhuma folga.

Em um vídeo, o secretário-geral da ONU, António Guterres, disse que a plena participação da mulher no mundo trabalhista gera novas oportunidades e crescimento.

"A eliminação da disparidade entre os gêneros no emprego poderia aumentar o PIB mundial em US$ 12 trilhões até 2025", afirmou.

A realidade, no entanto, é que os direitos da mulher estão em retrocesso no mundo, avaliou Guterres.

"Os direitos das mulheres, que nunca foram iguais aos dos homens em nenhum continente, estão retrocedendo ainda mais. No mundo todo, a tradição, os valores culturais e a religião são utilizadas indevidamente para restringir os direitos das mulheres, garantir o sexismo e defender práticas misóginas", criticou Guterres.

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