Parques exclusivos para mulheres no Irã abolem uso de burcas

Marina Villén.

Teerã, 8 mar (EFE).- Mulheres sem véu ou com os braços e as pernas descobertos não é algo que se vê nas ruas do Irã. Mas há alguns espaços públicos e ao ar livre nos quais não vogam os estritos códigos de vestimenta islâmica: os parques de mulheres.

A capital, Teerã, conta atualmente com quatro destes espaços, onde além de mulheres só podem entrar meninos menores de seis anos e é proibido fazer fotos ou vídeos para manter a privacidade das frequentadoras.

A fim de conseguir um ambiente completamente segregado e afastado de olhares masculinos, estes espaços são cercados por um muro alto e tanto a segurança quanto a jardinagem está a cargo de mulheres.

Esta é a única forma de as mulheres sentirem na pele o vento e o calor do sol no Irã.

Prazeres talvez pouco valorizados em outras partes do mundo por serem comuns, mas que no Irã são excepcionais desde o triunfo da Revolução Islâmica em 1979, quando as autoridades obrigaram as mulheres a cobrirem seu corpo.

Em contraste com esta habitual imagem conservadora, a estudante do Sahar passeia pelo parque Bustan-e Bhesht-e Madaran (Jardim do Paraíso das Mães) sem véu e de manga curta, apesar das temperaturas ainda não estarem elevadas em Teerã.

A jovem disse à Agência Efe que se sente mais livre neste ambiente para passear ou praticar esportes: "As mulheres gostaram destes parques desde sua abertura", comentou.

A mesma opinião tem Shirin, uma dona de casa de 50 anos que frequenta diariamente o local, que considera "muito útil levando em conta que na rua o véu é obrigatório".

"É muito cômodo não cobrir o cabelo e, com tempo bom, posso usar inclusive uma camiseta e shorts, o que nos permite pegar sol", afirmou.

A ideia de criar estes parques surgiu depois que um estudo mostrou um déficit de vitamina D em muitas mulheres iranianas causado por sua pouca exposição ao sol.

O primeiro a abrir suas portas, em 2008, foi o Jardim do Paraíso das Mães, que conta com mesas para jogar xadrez e pingue-pongue, churrasqueiras, uma estufa, uma cafeteria e um espaço para praticar desde futsal a ioga.

Entre seus 15 hectares de colinas e florestas também há uma casa de cultura que oferece cursos de ensino do Corão e de habilidades domésticas consideradas femininas, como cozinhar e costurar, o que nos lembra que estamos no Irã.

Apesar de todas estas instalações, o parque é um dos mais simples. Outros dispõem inclusive de piscina e quadras de futsal e basquete, como é o caso do Bustan-e Madare Qaem (Jardim da Mãe do Duodécimo Imame).

Alguns destes quatro espaços de Teerã também estão disponíveis para os homens nas sextas-feiras e feriados, enquanto um deles é misto, mas dedica uma área exclusiva para as mulheres com o objetivo de potencializar suas capacidades esportivas.

As razões que levaram à abertura destes lugares na capital, e posteriormente em outras cidades iranianas, são positivas, mas transparecem de novo o problema da segregação de gênero, imposta após a Revolução Islâmica nos espaços públicos.

Embora no transporte público e nos escritórios esta norma tenha afrouxado, ela continua muito vigente em qualquer lugar no qual as mulheres não vão cobertas, como piscinas e instalações esportivas.

Por isso, a criação destes parques exclusivos para mulheres levantou vozes de oposição que temiam um retorno de uma maior segregação no país.

Shirin compreende esta abordagem, mas se mostra agradecida pela iniciativa: "Eram muito necessários em Teerã espaços deste tipo", declarou.

A jovem Sahar também os considera úteis, mas não esconde que preferiria poder vir "com toda sua família", sem diferenças entre homens e mulheres e sem que isto condicionasse sua vestimenta.

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