Incêndio em abrigo para crianças deixa 22 mortos e 38 feridos na Guatemala

Em San José Pinula (Guatemala)

  • Moises Castillo/AP

    Pais aguardam por informação sofre feridos após incêndio em abrigo

    Pais aguardam por informação sofre feridos após incêndio em abrigo

Um incêndio deixou 22 mortos e 38 feridos nesta quarta-feira (8) em um abrigo para menores na Guatemala, quando meninas protestavam contra os abusos sexuais e físicos que sofrem. Ao menos 17 teriam morrido em decorrência de queimaduras.

O defensor de infância e adolescência da Procuradoria de Direitos Humanos Abner Paredes explicou aos jornalistas que, segundo as primeiras investigações, o fogo foi originado pelas próprias meninas em colchões do abrigo Hogar Seguro Virgen de la Asunción, situado no município de San José Pinula.

Cerca de cem pessoas se aglomeraram nos arredores do local e cobraram das autoridades a identificação das vítimas porque nada foi informado até o momento.

Supostamente, as menores feridas e mortas estavam protestando contra os abusos sexuais e físicos que sofrem no abrigo justamente nesta quarta-feira, quando é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

Embora as funcionárias tenham tentado apagar as chamas com vários extintores, o fogo se propagou rapidamente.

O representante da procuradoria disse à imprensa que o Ministério Público já investiga os fatos e que também espera que a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) se pronuncie a respeito das medidas cautelares solicitadas em novembro do ano passado pela instituição.

Enquanto os outros menores do centro estão começando a ser transferidos, alguns foram devolvidos para suas famílias e outros levados para outros albergues, como algumas meninas com deficiência que foram tiradas em ônibus por volta do meio-dia.

Um dos jovens que saiu, Daniel, 16, contou aos jornalistas que as meninas mortas estavam trancadas após uma rebelião na terça (7), quando 40 rapazes tentaram escapar, mas em seguida foram recuperados.

Saul Martinez/Reuters
Pessoas fazem vigília pelas vítimas de incêndio em abrigo
O menor, acompanhado de alguns familiares, afirmou que as autoridades "não ajudaram", que demoraram muito agir e que não deixaram entrar para socorrê-las. "Eles ficaram parados. Nós queríamos ajudar, mas não nos deixaram", disse, antes de abraçar um parente.

Emocionados e cabisbaixos, familiares de alguns dos reclusos exigem saber a verdade. O pai de Pablo, um menino de 14 anos, disse à Agência Efe que desconhece o estado do seu filho.

No entanto, não hesitou em denunciar que, da mesma forma, muitos outros internos estão sendo vítimas de abusos. "Isso é tráfico humano. É uma porcaria", afirma o homem, que preferiu não revelar seu nome, acompanhado de outro filho.

O abrigo já se envolveu em polêmica no ano passado, quando pelo menos 47 jovens fugiram, --o que levou a secretaria da presidência encarregada da guarda e da custódia a destituir o então diretor.

As autoridades averiguam desde então os fatos, e uma juíza decretou o fechamento gradual do centro --motivo que levou duas magistradas da Suprema Corte de Justiça, entre elas a ex-presidente da organização Silvia Patricia Valdés, a ir ao local para verificar a situação.

Dezenas de policiais, bombeiros, membros da Coordenadoria Nacional para a Redução de Desastres (Conred) e da Cruz Vermelha, entre outros, se encontram no local, onde imprensa foi proibida de entrar.
 

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