Meninas hospitalizadas após incêndio na Guatemala estão em estado grave

Cidade da Guatemala, 9 mar (EFE).- A maior parte das mais de 20 meninas de entre 12 e 17 anos que permanecem hospitalizadas na Guatemala após um incêndio em um abrigo de menores estão em estado grave e sua chance de morte é alta, disse nesta quinta-feira o diretor do Hospital Roosevelt, Carlos Soto.

Ao menos 31 meninas morreram, nove delas nas últimas horas, e 23 estão internadas em dois hospitais com queimaduras de até quarto grau, após o incêndio registrado ontem no abrigo Virgem da Assunção, quando protestavam contra os supostos abusos sexuais e físicos que sofriam, de acordo com as primeiras versões do fato.

Em entrevista coletiva nesta quinta-feira, Soto reconheceu que as queimaduras das vítimas, tanto no corpo como nas vias respiratórias, são consideradas de "extrema" gravidade, que vai aumentando conformem passam as horas.

"A chance de morte é de aproximadamente 80%", reconheceu Soto.

No Hospital Roosevelt, situado na Cidade da Guatemala, foram internadas 22 meninas, quatro morreram, quatro tiveram alta e 14 permanecem hospitalizadas, das quais três estão estáveis e 11 sob ventilação.

Juan Antonio Villeda, o diretor de San Juan de Deus, o outro centro hospitalar onde há feridas, disse que 17 meninas foram levadas para lá, das quais oito morreram e as restantes permanecem em estado de grave, três em cuidados em intensivos, uma em cuidado coronário e cinco na unidade de queimados.

Os dois médicos reconheceram que a situação das jovens, que têm entre 12 e 17 anos, é grave, e a chance de morte é "alta", sobretudo porque algumas delas têm problemas para respirar.

Segundo as primeira investigações, o incêndio foi provocado pelas próprias meninas na quarta-feira, quando colocaram fogo em colchões do abrigo, localizado no município de San José Pinula.

As menores tentavam protestar contra os supostos abusos sexuais e físicos que sofriam no recinto por ocasião do Dia Internacional da Mulher.

Um jovem do centro, Daniel, contou ontem à imprensa que as meninas estavam trancadas em uma sala de aula e denunciou que as autoridades demoraram muito para reagir.

A casa de menores está envolvida em polêmica desde o ano passado, quando pelo menos 47 jovens fugiram, o que levou à secretaria do governo encarregada da guarda e custódia a destituir o diretor na época.

No abrigo há 748 menores de ambos os sexos, embora sua capacidade seja de 400, e entre eles, além de órfãos e vítimas da violência, há alguns acusados de crimes e de pertencerem a gangues, de acordo com denúncias dos familiares.

Após o ocorrido, o governo destituiu o diretor do abrigo, decretou três dias de luto e reconheceu que a tragédia poderia ter sido evitada, mas responsabilizou às autoridades judiciais por não terem autorizado a transferência dos menores mais problemáticos para outros centros.

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