Cerca de 2 mil pessoas morreram no sudeste turco em operações do governo

Genebra, 10 mar (EFE).- Aproximadamente 2 mil pessoas morreram entre julho de 2015 e dezembro de 2016 no sudeste da Turquia durante operações das forças de segurança turcas, segundo um relatório da ONU baseado em números facilitados por Ancara e ONGs.

"Estes números foram apresentados pelo governo, e como não temos acesso à região, não podemos verificar se são certos ou não, é por isso que não os assumimos como próprios, porque necessitam ser verificados de forma independente", explicou em entrevista coletiva o porta-voz do alto comissário da ONU, Rupert Colville.

Segundo os números governamentais, das 2 mil pessoas supostamente mortas no contexto das operações de segurança, 800 seriam membros das forças de segurança e 1,2 mil residentes locais.

Dado que o governo da Turquia não permite o acesso aos investigadores da ONU à região em conflito, apesar de ter sido solicitado em inumeráveis ocasiões, o relatório teve que ser elaborado à distância.

Graças a ONGs, defensores de direitos humanos e a imagens de satélite, o Alto Comissariado pôde documentar que as operações realizadas pelas forças de segurança provocaram o deslocamento forçado de entre 355 mil e 500 mil pessoas, e que foram cometidos centenas de abusos aos direitos humanos.

O documento fala de desaparições forçadas maciças, incitação ao ódio, bloqueio de acesso à ajuda médica de emergência, à comida, à água e à qualquer tipo de assistência de sobrevivência, assim como violência sexual contra as mulheres.

A maioria das vítimas era de origem curda.

"Para poder determinar o número real de vítimas, assim como fazer uma apuração profunda dos abusos cometidos, necessitamos acesso, necessitamos que um grupo de investigadores vá ao terreno e entreviste as vítimas, por isso reiteramos nossa chamada ao governo para que permita", afirmou Colville.

"A investigação poderia ser nacional, mas independente e imparcial, ou internacional, mas tem que haver investigações sem demora", acrescentou.

O porta-voz explicou que o governo não dá uma razão concreta pela qual impede o acesso e a investigação, e que sua única resposta foi convidar o alto comissário, Zeid Ra'ad al-Hussein, a visitar o país.

"O alto comissário irá à Turquia, mas depois dos investigadores especialistas e independentes. Ele não pode exercer esse trabalho investigador que agora é a prioridade", especificou Colville.

Precisamente, Zeid, citado em comunicado, disse estar muito preocupado porque apesar das graves alegações de violações e abusos "ninguém foi detido e nem processado por estes crimes".

O relatório descreve como em várias localidades, 70% dos edifícios foram destruídos por bombardeios, fazendo as cidades praticamente desaparecerem.

Além disso, o texto expressa "preocupação" pela política de desapropriação da terra das comunidades, legalizada em uma decisão do Conselho de Ministros de março de 2016.

Com respeito às consequências do fracassado golpe de estado de julho passado, o relatório recolhe que as medidas tomadas posteriormente "afetam profundamente" os direitos humanos dos cidadãos da região.

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