Ofensiva contra EI em Mossul já deixou mais de 300 mil deslocados

Yaser Yunis.

Mossul (Iraque),10 mar (EFE).- Mais de 300 mil pessoas já foram deslocadas como consequência da ofensiva das forças iraquianas contra o grupo terrorista Estado Islâmico (EI) na cidade de Mossul, cuja região ocidental continua a receber o avanço das tropas governamentais.

O Ministério de Deslocados e Migrações do Iraque detalhou que 300.141 pessoas abandonaram a cidade, entre elas 70.327 que residiam na parte oeste, a região na qual os combates ocorrem neste exato momento.

O ministro da Defesa iraquiano, Arfan al-Hayali, que visitou Mossul nesta sexta-feira, enfatizou às tropas para que priorizem a proteção dos civis e a missão de facilitar a evacuação dos deslocados.

"Damos muita importância à vida dos cidadãos", disse o ministro às tropas, segundo comentou o comandante das operações para a libertação da província de Ninawa, Nayem Abdallah al-Jabouri.

Os novos deslocados, que saem em ondas da cidade, conforme as tropas adentram novos bairros, foram divididos entre os acampamentos instalados ao sul de Mossul e na província vizinha de Saladino e a região autônoma do Curdistão.

Todas as famílias estão recebendo ajuda de emergência, alimentos e assistência de saúde, após fugirem da região que há semanas se encontra totalmente sitiada, motivo pelo qual faltam comida e todos os produtos básicos.

Estimativas apontam que aproximadamente 400 mil civis permanecem na parte ocidental de Mossul, segundo a ONG Conselho Norueguês para os Refugiados (NRC).

As forças iraquianas recuperaram quatro bairros na região oeste de Mossul nesta sexta-feira. De acordo com o porta-voz das Forças de Resposta Rápida da polícia iraquiana, Abdelamir al Mahmadaui, foram evacuadas dezenas de famílias que vivem nos distritos de Al Oqaydat e Al Nabi Shiit, após terem sido atacadas pelo EI com fogo de morteiro e foguetes, o que deixou 13 feridos entre os civis.

O grupo jihadista está aumentando as represálias contra os civis e nesta sexta-feira executou uma mãe e seu filho, que tentavam fugir de Mossul, e depois pendurou seus corpos em uma ponte.

Com os avanços militares das últimas horas, as forças iraquianas expulsaram os jihadistas de praticamente metade do setor ocidental de Mossul, cuja parte oriental foi totalmente recuperada em meados de janeiro.

Nas operações desta sexta-feira, a Polícia Federal iraquiana informou que eliminou 17 terroristas, quatro deles equipados com coletes explosivos, e destruiu dois carros-bomba.

Nas últimas horas, as Forças Especiais antiterroristas abateram 43 combatentes do EI e neutralizaram sete carros-bomba conduzidos por suicidas, segundo disse à Agência Efe o comandante dessa unidade, general "Ma'an" al Saadi.

Os combates transcorrem agora no bairro Al Aguat, também no oeste de Mossul, onde as forças iraquianas conseguiram controlar a mesquita e várias ruas.

A ofensiva contra o Estado Islâmico também continuou em várias localidades ao oeste de Mossul que seguem sob o controle do grupo jihadista.

O comandante da IX Divisão Blindada, general Qasem Nazal, afirmou que suas tropas mataram 27 combatentes do EI e detonaram quatro carros-bomba perto de Mossul.

Estas forças libertaram os povoados de Al Yamasa e Al Hamidat, que se encontram em Badush, parcialmente sob o controle do EI e situada cerca de 25 quilômetros ao oeste de Mossul.

A Força Aérea iraquiana anunciou que destruiu um estoque de armas do EI dentro em uma casa com vários combatentes estrangeiros em Al Baay, a 120 quilômetros do oeste de Mossul.

A ofensiva na parte oeste de Mossul começou no dia 19 de fevereiro e avançou de forma incessante pelo sul da cidade, que está dividida em duas pelo rio Tigre.

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