Procurador-geral da Colômbia pede "morte judicial" para Odebrecht

Bogotá, 10 mar (EFE).- O procurador-geral da Colômbia, Fernando Carrillo, pediu nesta sexta-feira a "morte judicial" para a Odebrecht, a qual classificou como uma "multinacional do crime organizado" que tinha um departamento para o pagamento de subornos.

"Na história do crime organizado da América Latina passamos do narcotráfico e hoje temos uma verdadeira multinacional do crime organizado que é a empresa Odebrecht", disse o chefe do Ministério Público colombiano em declarações a jornalistas.

Carrillo explicou que para conseguir "a morte judicial" dessas empresas devem ser criadas as ferramentas jurídicas para alcançar esse objetivo e que nenhuma possa voltar a ser contratada pelo Estado.

"(A Odebrecht) era uma empresa criminosa e com uma empresa criminosa o que é preciso fazer é tentar buscar a morte jurídica dessa empresa. Nós não dispomos neste momento na Colômbia de uma ferramenta legal que permita isso", declarou.

A posição de Carrillo sobre a Odebrecht é conhecida no mesmo dia em que o site da revista "Semana" garantiu que a construtora brasileira entregou US$ 400.000 à campanha de 2010 do atual presidente colombiano, Juan Manuel Santos, para a elaboração de dois milhões de cartazes com a imagem do candidato.

O contrato no valor de US$ 400.000 foi entregue à companhia panamenha de publicidade Impressa Group Corp, de propriedade de María Fernanda Valencia e seu então marido, Félix Otto Rodríguez, segundo o site da revista.

A procuradoria colombiana confirmou no início da semana que tem provas de que a Odebrecht assumiu despesas das campanhas do presidente Juan Manuel Santos e de seu rival no pleito de 2014, Óscar Iván Zuluaga.

O ente acusador verificou que a construtora brasileira assinou um contrato em 2 de fevereiro de 2014 com a sociedade panamenha Paddington, vinculada à empresa colombiana Sancho BBDO, no valor de US$ 1 milhão para realizar uma pesquisa de opinião "a fim de conseguir uma aproximação com o governo do presidente Santos".

Segundo documentos do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, revelados no último dia 21 de dezembro, a Odebrecht pagou mais de US$ 11 milhões em subornos na Colômbia entre 2009 e 2014 como parte de sua estratégia para conseguir contratos na América Latina e na África.

As investigações na Colômbia sobre a rede de subornos da Odebrecht começaram com os contratos para a construção da estrada Ruta del Sol II, assim como nas obras de melhoria da navegabilidade do rio Magdalena, o principal do país.

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