RSF critica conivência de redes sociais com regimes autoritários

Paris, 10 mar (EFE).- A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) reprovou nesta sexta-feira a desativação de várias contas de jornalistas em redes sociais como Facebook e Twitter pela da cooperação destas redes sociais com regimes autoritários como os de China, Turquia e Tailândia.

Em um relatório divulgado hoje, pela ocasião do Dia Mundial Contra a Cibercensura, a RSF também condenou "o vazio jurídico" que permite a companhias especializadas em cibersegurança fornecer material a regimes autoritários, que exercem "vigilância online" e "censura".

Tais práticas - afirma a organização de defesa dos profissionais da imprensa - também ocorrem em países como França, Reino Unido, Estados Unidos, Austrália e México.

A RSF denunciou que o Twitter estreou uma ferramenta na Turquia para censurar "pelo menos 20 de contas de jornalistas", depois do fracassado golpe de Estado de 15 de julho de 2016 contra o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan.

"O Facebook, por sua vez, gera preocupação por sua colaboração ativa com determinados Estados, pela supressão de conteúdos jornalísticos e por sua política opaca de 'moderação' de conteúdos", prosseguiu a organização com sede em Paris.

Como exemplo, citou o perfil da página "ARA News" - um portal de informações sobre Síria, Iraque, Turquia e Oriente Médio em geral -, que foi bloqueada por vários dias no final de dezembro de 2016 sem "nenhuma explicação".

Para combater a censura, a RSF apresentou um dispositivo pelo qual as páginas desativadas podem reaparecer e ficarem visíveis, e cinco delas puderam voltar ao ar.

Trata-se da denominada técnica do "espelho", que publica na rede uma cópia do site bloqueado e a associa a provedores informáticos, como Fastly, Amazon, Microsoft e Google.

Deste modo, é "impossível" para as autoridades derrubar estas páginas "espelho", porque teriam que cortar a conexão destes gigantes da internet, contou a organização.

A RSF reivindicou "mais transparência" na relação das empresas de internet com os governos, a quem pediu que não se excedam em sua vigilância nas telecomunicações.

Também exigiu que a União Europeia e a ONU atuem como fiadores do acesso livre à internet e da defesa dos direitos humanos.

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