Atos lembram vítimas de atentados jihadistas de Madri em 2004

Antonia Méndez Ardila.

Madri, 11 mar (EFE).- Treze anos depois dos atentados terroristas de 11 de março de 2014, milhares de espanhóis foram às ruas neste sábado para lembrar dos 194 mortos por uma célula jihadista que colocou 11 bombas em quatro trens de Madri.

"O 11 de março será sempre uma data triste para os espanhóis. No Dia Europeu das Vítimas do Terrorismo, minha lembrança a sua memória. Não os esquecemos", disse o presidente do Governo da Espanha, Mariano Rajoy, através do Twitter.

Associações de vítimas, organizações sociais e cidadãos fizeram homenagens aos mortos e feridos nos atentados. As cerimônias começaram com as badaladas dos sinos das igrejas de Madri.

O primeiro evento oficial, protagonizado pela governadora regional de Madri, Cristiana Cifuentes, e a prefeita da capital, Manuela Carmena, foi realizado na Porta do Sol, no centro da cidade, onde há uma placa que homenageia os mortos, os feridos e as pessoas que os socorreram naquele dia trágico.

Além disso, outras homenagens foram realizadas por distintas organizações de vítimas, que ao longo desses anos divergem sobre vários aspectos, que vão desde a investigação, passando pela autoria dos atentados e a discussão política após a tragédia.

Um dos cenários escolhido foi o monumento às vítimas que há na estação de Atocha, onde um dos trens explodiu. Ao longo do dia, mais atos foram organizados nas outras três estações madrilenhas que foram alvo dos terroristas.

Também houve uma homenagem no Bosque del Recuerdo, no centro da capital, onde foram plantadas 191 árvores que representam as vidas das vítimas dos atentados.

No local, o presidente da Associação de Vítimas do Terrorismo, Alfonso Sánchez, lamentou que as vítimas ainda não receberam a justiça que merecem e nem descansam em paz. Para ele, há aspectos que precisam ser investigados e relatórios policiais para analisar.

Sem citar diretamente esses documentos, na homenagem da estação de Atocha, o presidente da Associação 11M Vítimas do Terrorismo, Elogio Paz, exigiu que o "verdadeiro relato" sobre o que ocorreu seja construído para que as vítimas saibam a verdade e que "as falácias que surgiram na sequência sejam deixadas para trás".

Após os atentados, que ocorreram três dias antes das eleições gerais do dia 14 de março de 2014, uma grande polêmica tomou o cenário político na Espanha. O governo de José María Aznar, do Partido Popular (PP), atribuiu inicialmente a autoria do ataque ao ETA, apesar das investigações apontarem para os jihadistas.

No total, 193 pessoas, de 17 nacionalidades, morreram nos atentados realizados pela Al Qaeda. A última delas faleceu em 2014, após ficar dez anos em coma. Além disso, 1.755 ficaram feridos.

Se soma às 192 vítimas de 11 de março de 2004 um policial que morreu semanas depois devido aos ferimentos sofridos quando sete membros da célula islamita responsável pelo massacre se suicidaram utilizando explosivos, enquanto estavam cercados pelos agentes.

A Justiça da Espanha condenou 18 pessoas pelos atentados, com penas entre 3 e 42.919 anos de prisão. Alguns dos responsáveis já foram libertados depois de cumprirem o período detidos.

Os atentados de Madri representaram um antes e depois na luta contra o terrorismo na Espanha. Depois do ataque, houve uma significativa melhora nos serviços de informação e mais coordenação entre os diferentes órgãos de segurança.

Desde então, 688 pessoas foram detidas na Espanha por envolvimento com o terrorismo.

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