Morre 3ª pessoa ferida durante protestos após impeachment na Coreia do Sul

A polícia da Coreia do Sul confirmou neste sábado (11) que uma terceira pessoa morreu por conta dos ferimentos sofridos durante sua participação nos protestos ontem, em Seul, após a confirmação do impeachment da ex-presidente do país, Park Geun-hye.

A terceira vítima, identificada como um homem de 74 anos, morreu em um hospital de Seul, após ter sido internado inconsciente na sexta-feira (10), depois de participar de um confronto com a polícia durante uma manifestação.

Outros dois homens, de 60 e 72 anos, morreram, e dezenas ficaram feridos ontem durante os protestos ocorridos depois que o Tribunal Constitucional confirmou a cassação da presidente Park, aprovada pelo Parlamento devido a sua ligação com o caso de corrupção que ficou conhecido como "Rasputina".

Após a leitura do veredicto, começaram violentos confrontos entre a polícia e os partidários da agora ex-presidente sul-coreana, na frente da sede do tribunal e nas proximidades da avenida Sejong.

Segundo Lee Jung-Mi, presidente do Tribunal, Park, envolvida em um escândalo de corrupção, "prejudicou seriamente o espírito da democracia e do Estado de Direito", e, por isso, todos os oito juízes julgaram haver razão suficiente para sua deposição.

Park estava afastada da Presidência desde a decisão do Parlamento no ano passado. O comando do país está a cargo do primeiro-ministro, Hwang Kyo-ahn.

Com a aprovação do impeachment, Park também perde a imunidade presidencial e pode ser processada.

Coreia do Sul pede calma após mortes em protestos

Acusações

Park é acusada de permitir que uma amiga íntima de mais de 40 anos, Choi Soon-sil, filha de um líder de uma seita religiosa, exercesse influência considerável em assuntos que variavam da escolha de pessoas para altos cargos do governo até o guarda-roupa dela, além de ajudar a extorquir dezenas de milhões de dólares de empresas sul-coreanas.

Baek Seung-ryul/Yonhap via AP
A presidente deposta da Coreia do Sul, Park Geun-hye
Chamada de "Rasputina" pela imprensa, Choi foi detida em novembro e está esperando para ser julgada por coação e abuso de poder.

Quando da aprovação do impeachment pelo Parlamento, os deputados também acrescentaram como motivo para a deposição a atuação de Park após o naufrágio de uma balsa em 2014, tragédia em que 304 pessoas morreram, a maioria estudantes. A gestão do governo na catástrofe foi muito criticada e se questionou por que a presidente levou sete horas após o desastre para realizar a primeira reunião sobre o tema.

Os meios de comunicação citam diferentes teorias, como, por exemplo, as de que Park estava em um relacionamento amoroso, realizando um ritual xamânico, em uma operação estética ou cortando o cabelo. A Casa Azul, sede da presidência sul-coreana, desmentiu todas as teorias, mas não explicou até hoje onde a presidente estava no dia da tragédia.

Pedido de desculpas

Em dezembro, uma hora após a decisão do Parlamento e depois de entregar seus poderes do primeiro-ministro do país, Park pediu desculpas aos cidadãos sul-coreanos em discurso televisionado. Disse que levava "a sério as vozes da Assembleia Nacional e do povo". 

Milhões de pessoas foram às ruas para pedir que a presidente fosse afastada do cargo, inclusive nas últimas semanas.

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