Rússia começa construção de base naval no porto de Tartus, na Síria

Moscou, 11 mar (EFE).- A Rússia já começou a construção de sua base naval no porto de Tartus, no litoral sírio do Mar Mediterrâneo, anunciou neste sábado Viktor Ozerov, chefe do Comitê de Defesa e Segurança do Senado russo.

"Apesar de o acordo sobre Tartus ainda não ter sido remetido à Duma (Câmara dos Deputados), o texto está em vigor desde o momento de sua assinatura", garantiu Ozerov à agência "Interfax".

Em virtude do convênio assinado em janeiro pelos dois países, a Rússia poderá transformar o ponto de manutenção em Tartus em uma base naval, que ficará sob seu controle durante os próximos 49 anos.

Ozerov, que se mostrou convencido de que o acordo será ratificado em breve pela Duma, revisou pessoalmente os planos de ampliação do porto em sua última visita à Síria em outubro do ano passado.

O convênio diz que a criação da base de Tartus "responde ao objetivo de apoiar a paz e a estabilidade na região, tem caráter defensivo e não está voltada contra nenhum país".

A base poderá abrigar simultaneamente até 11 navios, incluídos os de propulsão nuclear, e a Rússia assumirá a defesa do território por mar e ar com a ajuda de suas baterias com mísseis antiaéreos S-400.

O porto de Tartus serviu de ponto de manutenção técnica e abastecimento para as frotas soviética e russa desde a década de 1970 em virtude de um acordo assinado com Hafez al Assad, pai do atual líder sírio, Bashar al Assad.

Nem mesmo nos tempos da Guerra Fria, quando a União Soviética tinha nas águas do Mediterrâneo sua 5ª Esquadra Naval (1967-1992), Moscou chegou a contar com uma base naval permanente no Mediterrâneo.

A marinha soviética se valia na época dos chamados pontos de manutenção técnica e abastecimento, distribuídos por Síria, Egito, Somália, Iêmen, Etiópia, Guiné, Líbia, Tunísia e Angola, na maioria de suas missões internacionais.

Apenas em Cuba, no porto de Cienfuegos, e na baía vietnamita de Cam Rahn, a URSS, e posteriormente a Rússia, manteve bases navais entre 1979 e 2002.

A marinha russa retornou ao Mediterrâneo em 2013 após mais de 20 anos de ausência, e navios como o porta-aviões "Almirante Kuznetsov" e o destroyer "Pedro o Grande" participaram dos bombardeios contra posições jihadistas na Síria.

O exército russo já conta com uma base aérea na província síria de Latakia, que foi utilizada pela aviação russa nos bombardeios a posições do Estado Islâmico.

Assad garantiu hoje em declarações a uma emissora de televisão chinesa que a Rússia é o único país que realmente enfrenta o terrorismo jihadista na Síria.

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