Holanda afirma que foi impossível alcançar solução razoável com a Turquia

Haia, 12 mar (EFE).- O governo da Holanda afirmou neste domingo que foi impossível alcançar uma solução razoável com a Turquia no conflito bilateral suscitado neste sábado após rejeitar a entrada de dois ministros turcos que fariam um comício em Roterdã para apoiar o plebiscito constitucional convocado por Ancara.

As autoridades holandesas impediram a aterrissagem do avião do ministro das Relações Exteriores turco, Mevlüt Çavusoglu, em Roterdã onde pretendia participar de um comício da mesma forma que sua companheira de gabinete, a ministra de Assuntos Familiares, Fatma Betül Sayan Kaya, que viajou de carro da Alemanha a essa cidade da Holanda.

Finalmente, o chefe da diplomacia turca se transferiu à França e a ministra de Assuntos Familiares, que foi proibida entrar no consulado turco de Roterdã, foi escoltada de madrugada rumo à Alemanha.

O governo holandês divulgou nesta madrugada uma declaração oficial para assinalar que "no contato mútuo com a Turquia, os Países Baixos deixaram claro em repetidas ocasiões que não se devia comprometer a ordem pública e a segurança em nosso país", segundo veículos de comunicação locais.

A declaração acrescenta que "a busca de uma solução razoável resultou impossível", e destaca que "os ataques verbais por parte das autoridades turcas que se seguiram ao dia de hoje são inaceitáveis".

Para as autoridades holandesas, a visita da ministra turca "foi irresponsável neste contexto", e acrescentaram que transmitiram ao governo turco que Kaya "não era bem-vinda nos Países Baixos", ao lembrar que, apesar de a Holanda informar que não permite a campanha política pública da Turquia em seu território, "ela decidiu viajar".

Perante esta situação, o governo holandês ressaltou que pediu à ministra turca em reiteradas ocasiões que retornasse a seu país, razão pela qual finalmente foi escoltada em sua viagem à Alemanha, por onde tinha entrado nos Países Baixos.

Finalmente, a Holanda destacou que "mantém seu compromisso de diálogo com a Turquia".

Os dois ministros turcos pretendiam realizar um comício com seus compatriotas residentes em Roterdã para buscar seu apoio ao plebiscito constitucional do próximo dia 16 de abril, que decidirá pela ampliação ou não os poderes executivos do presidente de seu país, o islamita Recep Tayyip Erdogan.

A ministra Kaya escreveu no Twitter que "a Holanda está violando todas as leis internacionais, convenções e direitos humanos me proibindo de entrar no consulado turco em Roterdã".

Além disso, considerou essa situação uma "uma atitude antidemocrática" e garantiu que "não tinha intenção" de interferir nos assuntos internos de nenhum país.

Anteriormente, o primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, havia assegurando que os políticos turcos "não estão proibidos de entrar" no país, mas sim de "participar de atividades políticas" na Holanda.

Em resposta a essa decisão, o governo turco transferiu no sábado à Holanda seu desejo de que o embaixador holandês em Ancara, por enquanto fora do país, não retorne "durante algum tempo" para retomar sua atividade, segundo informou o Ministério das Relações Exteriores da Turquia.

O comunicado turco lembra os "405 anos de relações ininterruptas de amizade e aliança" entre os dois países, e atribui "inteiramente" à Holanda "a responsabilidade e a vergonha" da atual tensão.

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