Primeiro-ministro holandês pede que Turquia "acalme a tensão" diplomática

Haia, 12 mar (EFE).- O primeiro-ministro da Holanda, Mark Rutte, disse neste domingo que quer "acalmar a tensão" diplomática com a Turquia, mas ameaçou "responder com medidas adequadas" se as autoridades turcas persistirem com a atitude hostil em relação a seu país.

"Queremos desacelerar, mas se os turcos insistirem em aguçar a tensão, responderemos adequadamente", disse o chefe de governo holandês.

Rutte informou que ontem à noite falou "oito vezes por telefone" com seu colega turco para tentar "chegar a uma solução dialogada" com o país.

Na Turquia, o ministro de Assuntos Europeus, Ömer Çelik, insistiu hoje que a atitude das autoridades holandeses, que impediram que dois ministros turcos participassem ontem de um comício político em Roterdã, é "puro fascismo".

Rutte reconheceu não ter "ideia sobre as consequências e implicações" das ameaças do governo turco, mas advertiu que a Holanda "tentará ser parte sensível" neste conflito diplomático.

Sobre os distúrbios desta madrugada no centro da cidade portuária de Roterdã, Rutte se mostrou "surpreso" e disse que pensou que "tinha escolhido o filme errado" na televisão.

Pelo menos 12 pessoas foram detidas e um policial ficou ferido durante os confrontos registrados entre as forças de segurança e os manifestantes turcos, que se reuníram em uma praça perto do Consulado da Turquia para protestar contra a negativa do governo holandês de permitir um comício político em Roterdã.

O ministro das Relações Exteriores, Mevlüt Çavusoglu, realizaria um discurso de campanha ontem pelo referendo constitucional convocado por Ancara que pretende mudar o regime político do país e entregar o Poder Executivo ao presidente Recep Tayyip Erdogan.

No entanto, o governo holandês retirou os direitos de aterrissagem de Çavusoglu nos Países Baixos, o que deu início à crise diplomática entre os dois países, que incluiu uma troca de ataques verbais.

Erdogan disse ontem que a atitude da Holanda é de "remanescentes nazistas e fascistas".

O Comitê Internacional de Auschwitz se mostrou hoje "consternado e indignado" por essas comparações entre os Países Baixos e o fascismo.

A ONG, fundada por sobreviventes do campo de concentração nazista, as considera "absurdas" e assegurou que "tais declarações são também desrespeitosas para os sobreviventes do Holocausto, que ainda sofrem as consequências da guerra".

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