Armênia deseja relação sem tensões entre Ocidente e Rússia

Yerevan, 13 mar (EFE).- O presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, deseja uma relação sem as atuais tensões entre a Rússia e o os países do Ocidente, e defende a complementaridade entre a aproximação de seu país com a União Europeia e sua filiação à União Euroasiática promovida por Moscou.

Em entrevista exclusiva concedida à Agência Efe nas vésperas de uma visita oficial à Rússia, o governante armênio evitou opinar sobre a difícil relação atual entre a UE e a Federação Russa.

"Não quero fazer uma avaliação dos países ocidentais que hoje em dia têm uma relação difícil com a Rússia, porque acredito que qualquer país, qualquer organização, antes de dar um passo, considera se este é um passo justo", se limitou a dizer Sargsyan.

Ao ser perguntado se a Armênia poderia contribuir de alguma maneira para recompor a relação entre europeus e russos, Sargsyan descartou assumir qualquer função mediadora.

"Somos um país pequeno, por isso não quero superestimar nosso papel; dizer que a Armênia pode ser a ponte entre o Ocidente e a Rússia é um exagero", respondeu o governante.

Sargsyan acrescentou que o que seu governo faz é "trabalhar constantemente para não causar problemas adicionais entre a Rússia e o Ocidente".

Para o líder armênio, a estratégia contrária, ou seja, tentar tirar proveito das divergências, pode ser perigosa e inclusive "fatal" para um país pequeno.

"Por isso", acrescentou Sargsyan, "nos sentimos mais cômodos quando as relações entre a Rússia e a Otan, entre a Rússia e o Ocidente, não são tensas. Essa é a situação mais aceitável para nós".

A Rússia é o principal aliado político, econômico e militar desta pequena república do sul do Cáucaso, que mantém fechadas suas fronteiras com dois poderosos vizinhos, Turquia e Azerbaijão, ambos de maioria muçulmana.

Com este último país, a Armênia se encontra imersa em um longo conflito por causa do território de Nagorno Karabakh, que derivou em em novos combates em abril do ano passado e num cessar-fogo muito precário desde então.

"A Rússia é nosso aliado estratégico", ressaltou Sargsyan. "Não vemos nenhuma razão para cortar esses laços; ao contrário, queremos fortalecer esses laços e expandi-los", enfatizou o líder armênio.

Ao mesmo tempo, Sargsyan considera que "o aprofundamento das relações com a UE é uma das prioridades" de sua política externa.

Há poucos dias, Sargsyan e o presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, declararam em Bruxelas o final bem-sucedido das negociações bilaterais para um acordo ampliado de cooperação entre Armênia e UE.

"Não vemos nenhuma contradição em nossa política. Pelo contrário, estamos convencidos de que é complementar", ressaltou o presidente da ex-república soviética.

Um fenômeno que está afetando a Armênia da mesma maneira que a União Europeia é a chegada em massa de refugiados procedentes da guerra civil na Síria.

A Armênia acolheu mais de 20 mil desses deslocados, em sua maioria sírios de origem armênia.

"Não os chamamos de refugiados", especificou Sargsyan, "são nossos irmãos e irmãs". "Certamente, é uma grande tragédia; estas pessoas abandonaram seus lares que durante décadas trataram de construir" e seu acolhimento traz grandes desafios.

Sobre esta crise, Sargsyan se absteve de dar qualquer conselho aos governos dos países da UE, mas afirmou ter certeza de que os europeus sabem diferenciar entre os "vários tipos" de pessoas que chegam a suas fronteiras.

Com uma longa carreira a serviço do Estado, que começou em 1993 como ministro da Defesa nos duros anos da guerra em Nagorno Karabakh, este veterano político afirmou não ter um plano para quando encerrar seu mandato como presidente em 2018.

"Francamente, não tenho um plano elaborado", grantiu Sargsyan, ao acrescentar que seria estupendo se seu partido, o Republicano, que é filiado ao Partido Popular Europeu (PPE), vencesse com folga, como preveem as pesquisas, as eleições parlamentares que acontecem em abril.

Estas eleições são as primeiras no país sob a nova Constituição que transformará a república de semi-presidencial em parlamentar.

Se o Partido Republicano obtiver votos suficientes, "o atual primeiro-ministro seguirá em seu cargo", afirmou Sargsyan.

O presidente também ressaltou a relação "muito forte" que seu país mantém com os Estados Unidos, onde vive uma diáspora armênia muito numerosa.

Há mais de 7 milhões de armênios vivendo fora da Armênia, e todos eles, segundo Sargsyan, têm algo em comum e "se integram facilmente nas sociedades em que vivem".

"Assim são nossos compatriotas que vivem na América Latina; têm um papel essencial no desenvolvimento destes países". "Não é uma casualidade que o Uruguai foi o primeiro país a reconhecer em 1965 o genocídio armênio", lembrou Sargsyan.

Por último, o presidente ressaltou que, embora seja possível que os espanhóis não conheçam suficientemente a Armênia, "a Espanha é um dos principais destinos turísticos para os armênios", por isso seus compatriotas conhecem muito bem o país ibérico.

As relações entre armênios e espanhóis "têm uma longa história desde a Idade Média", explicou Sargsyan, ao mencionar alguns dos atrativos de seu país: "os espanhóis, como exportadores da cultura do vinho, devem saber que, de acordo com a Bíblia, o primeiro vinhedo foi plantado aqui".

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