Armênia diz que nunca recusou diálogo com Azerbaijão sobre Nagorno Karabakh

Yerevan, 13 mar (EFE).- O presidente da Armênia, Serzh Sargsyan, garantiu que seu país "nunca se negou" a negociar com o Azerbaijão uma solução duradoura para o conflito em Nagorno Karabakh, mas reivindica que Baku aplique o que foi estipulado, antes de pensar em novos encontros com seu colega azerbaijano.

Em entrevista exclusiva concedida à Agência Efe, Sargsyan também afirmou que "a situação não melhorou e continua sendo tensa" na linha de separação, mas que não prevê novas "ações militares em grande escala num futuro próximo".

"Nós nunca rejeitamos qualquer processo de negociação, incluindo as reuniões no mais alto nível", respondeu Sargsyan ao ser perguntado se estaria disposto a manter outro encontro com o presidente azerbaijano, Ilham Aliyev, para diminuir as tensões.

No entanto, o líder armênio disse que prefere que "os acordos alcançados nas reuniões anteriores sejam implementados pelo menos em parte, para depois pensar em um novo encontro".

Sargsyan lembrou que em Viena (Áustria) e em São Petersburgo (Rússia), no ano passado, os dois governantes se reuniram para pôr fim a quatro dias de sangrentos combates em Nagorno Karabakh, e estabeleceram um mecanismo para investigar as violações do cessar-fogo, a fim de reduzir a hostilidade na chamada "linha de contato".

"Mas, infelizmente, esse acordo não aconteceu". E mais, prosseguiu Sargsyan, duas semanas após a reunião em Viena, o Azerbaijão declarou que esses compromissos tinham sido só uma declaração dos mediadores internacionais (o chamado Grupo de Minsk), e não um acordo aceito por Baku.

"Para que se reunir se não podemos implementar o estipulado?", questionou o presidente armênio.

A disputa por Nagorno Karabakh, que remonta à época da dissolução da União Soviética, registrou uma intensificação em abril do ano passado, quando ocorreram violentos combates ao longo da linha que separa o território e o Azerbaijão.

Na época da queda da URSS, Nagorno Karabakh, uma região de maioria armênia (cristã), mas que havia sido integrada ao Azerbaijão, um país de maioria muçulmana, declarou unilateralmente sua independência, o que desencadeou uma guerra entre as duas ex-repúblicas soviéticas que causou cerca de 20 mil mortos.

As hostilidades acabaram com um cessar-fogo em 1994, que foi confirmado no ano seguinte, mas que voltou a ser quebrado recentemente.

Nenhum estado, nem sequer a Armênia, reconheceu a independência de Nagorno Karabakh, mas, desde aquela guerra, o território se transformou, 'de facto', em um território "independente" do Azerbaijão, que considera que ele foi ilegalmente ocupado pela Armênia.

O exército armênio ocupou territórios azerbaijanos circundantes, no que denomina de "faixa de segurança", e que permitem conectar Nagorno Karabakh com a república da Armênia.

Na entrevista, Sargsyan avisou que a Armênia poderia reconhecer a independência de Nagorno Karabakh se Baku insistir em buscar uma saída militar.

"Nós não reconhecemos a independência de Nagorno Karabakh só por uma razão, para permitir que o processo de negociação continue", porque o Azerbaijão não quer dialogar com os representantes de Nagorno Karabakh, disse o líder armênio.

"Imagine se, nestas circunstâncias, a Armênia reconhecesse a independência de Nagorno Karabakh. Isto seria o fim das negociações e, como se sabe, a alternativa às negociações é a guerra", ressaltou o presidente.

Sargsyan insitiu que, "se o Azerbaijão retomar as ações militares em grande escala contra Nagorno Karabakh", reconhecerá "imediatamente sua independência, porque a Armênia é o fiador da segurança do povo de Nagorno Karabakh".

O líder armênio considera que a política de Baku "está muito clara" desde 2011, "quando rejeitou assinar o documento baseado nos princípios de Madri" para a resolução pacífica de conflitos.

A tensão alcançou seu pico em abril do ano passado, quando ocorreram algumas ações militares que duraram quatro dias e, segundo algumas estimativas, provocaram centenas de baixas.

"Tanto nós como os azerbaijanos tivemos perdas, mas eles ainda mais", afirmou Sargsyan.

Aquele enfrentamento conduziu às conversas de Viena, mas "a situação não melhorou e continua sendo tensa", acrescentou o presidente.

Apesar disso, e da estagnação das negociações de paz, Sargsyan não acredita em novas "ações militares de grande escala no futuro próximo", mas especificou que, cada vez que diz isto, pensa "que o presidente e o ministro da Defesa devem pensar que não é amanhã, mas em uma ou duas horas que podem começar as ações militares".

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