Formação de aliança de governo sem Wilders: a tarefa pós-eleitoral na Holanda

Imane Rachidi

Em Haia

  • Peter Dejong/ AP

    Geert Wilders acena durante ação de campanha eleitoral próximo a Roterdã, Holanda

    Geert Wilders acena durante ação de campanha eleitoral próximo a Roterdã, Holanda

A maior parte dos partidos que disputam as eleições da próxima quarta-feira na Holanda querem distância do ultradireitista Geert Wilders e se negam a negociar com ele a formação de uma possível coalizão de governo, apesar de as pesquisas indicarem que a legenda liderada por ele será a mais votada.

"Eles não podem virar as costas para 2,5 milhões de eleitores. Se isso ocorrer, liderarei uma revolução nas ruas. É antidemocrático", afirmou o líder populista do Partido da Liberdade (PVV), possível vencedor de um pleito que não o levará ao comando do governo.

As afirmações xenófobas e anti-islamitas de Wilders provocaram a rejeição dos principais rivais políticos do populista na Holanda, que se negam a governar com ele por considerar que as posições são "incompatíveis" com seus programas eleitorais.

Apesar de o apoio do PVV ter caído nas últimas semanas, segundo algumas pesquisas, Wilders ainda lidera as intenções de voto com 25%, o que garantiria até 30 cadeiras em um parlamento de 150.

O liberal Mark Rutte, atual primeiro-ministro de um governo de coalizão com o Partido do Trabalho (PdvA), anunciou que prefere se aliar com os Democratas 66 (D66) e o Apelo Democrata-Cristão (CDA).

"Wilders, claro, não vai terminar ali", completou Rutte, líder do Partido Popular pela Liberdade e Democracia (VDD), que ocupa a segunda posição nas pesquisas de intenção de voto.

O PdvA e o Partido Socialista (PS) escolheram como aliados de governo a Esquerda Verde (GL). As três legendas também já anteciparam que não formarão coalizão com os populistas.

As opções que sobram para Wilders são, basicamente, a União Cristã e o 50Plus, partido focado nos direitos dos idosos e que roubou muitos votos do próprio PVV.

"Imagine que consigamos 30, 40 e 50 cadeiras e nos viram as costas. Não estou ameaçando ninguém com questões perigosas, mas eu ocuparia Malieveld (local onde se realizam protestos em Haia)", alertou Wilders em entrevista à imprensa holandesa.

Segundo as pesquisas, o CDA e o D66 ficariam com no máximo 18 cadeiras cada. O PdvA, até então segundo maior partido do país, pode perder até 25 cadeiras nas próximas eleições. Diferentes analistas disseram os eleitores do partido, desiludidos, podem optar por votar em Wilders ou nos socialistas.

O líder do D66, Alexander Pechtold, prevê que seu partido ficará com a segunda posição no pleito e aposta em um governo progressista de centro, formado com os liberais e os democratas-cristãos.

Segundo as pesquisas, uma coalizão precisaria de acordos entre cinco ou seis partidos para ter o apoio legislativo necessário durante os próximos quatro anos.

Cada vez mais vozes duvidam que Wilders realmente queira se tornar primeiro-ministro da Holanda ou se seu real interesse é dar um "apoio tático" ao próximo governo, como já fez entre 2010 e 2012, bloqueando múltiplos projetos de lei.

Os analistas holandeses, acostumados com eleições previsíveis, têm afirmado que as pesquisas e as possíveis negociações pós-pleitos estão difíceis de interpretar.

Seguindo a tendência que ocorreu em outros países europeus, os especialistas não descartam que os eleitores holandeses renunciem ao voto leal no partido de sempre e optem por novos grupos, já que há um leque político com cerca de 30 candidatos.

CDA, PdvA e VDD concentraram 80% dos votos na década de 1980, porcentagem que caiu para 60% nos anos posteriores ao assassinato do populista anti-islamita Pim Fortuyn em 2002.

As pesquisas indicam que os três partidos terão, juntos, apenas 40% dos votos na próxima eleição. A ascensão do populismo nos últimos anos foi a principal causa da fragmentação e da polarização do sistema político do país, refletindo dessa forma a insatisfação social entre os holandeses.

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