Sargsyan diz que Armênia luta para evitar novos genocídios

Erevan, 13 mar (EFE).- A luta da Armênia não é somente pelo reconhecimento internacional da existência do genocídio armênio (1915), "mas também contra todos os genocídios", segundo o presidente do país, Serj Sargsyan.

Em entrevista exclusiva concedida à Agência Efe, Sargsyan se mostra, além disso, pessimista em relação à possibilidade de Armênia e Turquia estabelecerem relações diplomáticas a curto prazo.

Atualmente, a Armênia tem fechadas suas fronteiras tanto com a Turquia, no oeste, como com o Azerbaijão, no leste, e não mantém nenhum tipo de relação com estes poderosos vizinhos de maioria muçulmana e língua turca.

A disputa com a Turquia tem uma história muito longa. Em 1915, até um milhão e meio de armênios súditos do Império Otomano morreram em massacres que a maioria dos historiadores ocidentais considera um genocídio perpetrado pelos otomanos.

O governo turco, por sua vez, não reconhece a existência de nenhum plano genocida e atribui aquelas mortes e massacres à guerra mundial e à guerra civil que assolaram Europa e Turquia nas primeiras duas décadas do século XX.

Um dos principais objetivos da política externa da Armênia é, pelo contrário, convencer a comunidade internacional de que aqueles fatos constituíram um autêntico genocídio, que em 2015 foi lembrado pelo seu o centenário.

Sargsyan afirma na entrevista que a celebração não teve como objetivo "suscitar uma histeria anti-turca".

"Criticamos duramente as autoridades turcas por sua política de negação, mas não jogamos a culpa no povo da Turquia", assegura o presidente armênio.

E explica: "consideramos que a negação é a continuação do crime" e que "a impunidade e a negação levam a novos crimes".

"Estamos lutando não somente pelo reconhecimento internacional do genocídio armênio, mas também contra todos os genocídios", disse Sargsyan.

Quanto as relações com a Turquia, o presidente opina que, de forma geral, "no século XXI, os estados devem ter relações" entre si.

"Nós achamos que as questões que existem entre ambos os países podem ser discutidas depois do estabelecimento das relações diplomáticas", afirma.

Sargsyan lembra que Turquia e Armênia estiveram a ponto de chegar a um acordo (2009), mas no final Ancara condicionou seu sinal verde à solução das tensões com o Azerbaijão.

Foi Sargsian que iniciou em 2008 um processo de reconciliação com a Turquia através da chamada "diplomacia do futebol", organizando jogos entre times dos dois países em ambos os territórios.

"Negociamos por um longo tempo e depois assinamos dois documentos na presença de três chanceleres de países-membros do Conselho de Segurança da ONU", explica.

A assinatura desses protocolos aconteceu em outubro de 2009, em Zurique (Suíça).

Os protocolos tinham que ser ratificados pelos parlamentos de Armênia e Turquia mas, "ainda estamos esperando que os turcos os ratifiquem", diz Sargsyan.

"Estou convencido de que não vão fazê-lo, porque os turcos já expressaram sua opinião e hoje as relações entre Armênia e Turquia dependem das relações da Armênia com o Azerbaijão".

"Eles põem condições prévias". A Armênia, por sua vez, "não vê como uma condição prévia o reconhecimento do genocídio armênio por parte da Turquia", de modo que, ressalta Sargsyan, "também não estamos dispostos a aceitar condições por parte da Turquia".

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