Trabalho infantil e prostituição: a sobrevivência das vítimas da guerra síria

Cairo, 13 mar (EFE).- O trabalho infantil e a prostituição se tornaram os meios de sobrevivência das vítimas do conflito na Síria, que daqui a dois dias completa seis anos, denunciou nesta segunda-feira a ONG internacional Ação contra a Fome (AAH).

"A maioria dos deslocados e refugiados já esgotaram seus mecanismos imediatos de adaptação (...) e nossas equipes nos contam como no último ano dispararam recursos extremos de sobrevivência", afirmou o responsável para o Oriente Médio da organização, Jean Raphael Poitou, em comunicado.

O desespero fez com que as vítimas do conflito sírio não tivessem outra saída além do trabalho infantil, a exploração laboral, o casamento precoce e a prostituição, explicou Poitou.

O membro da ONG lembrou, além disso, que o acesso a algumas áreas na Síria continua sendo "um desafio humanitário", já que cerca de "cinco milhões de pessoas estão em zonas fora de nosso alcance".

Por sua vez, o diretor de relações institucionais da AAH, Manuel Sánchez-Montero, apontou que o país árabe "precisa de ajuda" para 13,5 milhões de pessoas, sendo quase metade crianças, e de maneira "urgente" para 5,6 milhões, com o objetivo de "suprir suas necessidades básicas", e isso só "dentro da Síria".

Montero também indicou que durante a guerra "os atores e as zonas do conflito evoluíram, mas o sofrimento da população continua" e o número de pessoas que saíram do país no ano passado se estabilizou pela "menor permeabilidade das fronteiras vizinhas".

A ONG fez um pedido à comunidade internacional a fim de que as partes em conflito "cumpram com o direito internacional humanitário, facilitem o acesso às ONGs e que estas usem os recursos disponíveis com a máxima eficiência, e que os países doadores efetuem o pagamento dos fundos prometidos".

De fato, as verbas para a Síria em 2016 eram de US$ 3,18 bilhões, e para 2017, de US$ 3,4 bilhões, dos quais até o momento foram financiados apenas 3,1%, de acordo com os números da organização.

Após seis anos de guerra, nos quais, segundo AAH, 470 mil pessoas morreram, a ONG continua trabalhando no país árabe com serviços de água, saneamento, ajuda alimentícia e apoio a veículos de imprensa. EFE

ijm/cs

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