Alemanha atualiza recomendações de viagem à Turquia

Berlim, 14 mar (EFE).- A Alemanha atualizou suas recomendações de viagem para a Turquia por causa das tensões entre os dois países e advertiu os viajantes de possíveis protestos que podem também estar voltados contra os alemães.

Em sua página na internet, o Ministério das Relações Exteriores alemão lembrou que em 16 de abril a Turquia realiza um referendo com o qual o presidente do país, Recep Tayyip Erdogan, quer avançar rumo a um sistema presidencialista.

"Em relação à campanha eleitoral, é preciso contar com um aumento das tensões políticas e protestos, que também podem estar dirigidos contra a Alemanha. Em casos isolados, viajantes alemães na Turquia também podem ser afetados", advertiu o Ministério alemão.

O governo germânico lembrou que, desde o princípio de fevereiro, houve casos de cidadãos alemães que tiveram sua entrada negada no país, sem que recebessem qualquer explicação, e que tiveram que retornar à Alemanha após várias horas de detenção.

Apesar do direito legal dos cidadãos alemães à assistência de seus consulados, "não é possível garantir proteção consular em cada caso frente a medidas soberanas do governo turco e de suas autoridades" quando o atingido possui também a cidadania turca, ressaltou o governo alemão.

O Ministério também lembrou o estado de exceção imposto após a tentativa de golpe de Estado em julho do ano passado e que está vigente, pelo menos, até 19 de abril.

Assim, as autoridades podem decretar em um curto prazo de tempo toques de recolher, realizar diligências e em geral controles de identidade em qualquer momento, e as pessoas que respondem a um processo penal na Turquia, em particular em relação com a tentativa fracassada de golpe, poderiam ter sua saída do país vetada.

As medidas também "podem se voltar contra pessoas que não possuem nacionalidade turca", advertiu o Ministério alemão.

A pasta de Relações Exteriores também alerta que não podem ser descartados atentados terroristas, em particular contra estrangeiros, como os que vêm sendo cometidos desde meados de 2015.

A atualização das recomendações de viagem foram publicadas quase paralelamente com as acusações feitas ontem por Erdogan contra a chanceler alemã, Angela Merkel, a quem acusou de "apoiar o terrorismo", em referência à guerrilha curda do Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK, sigla em curdo).

Este novo ataque aconteceu ontem à noite, em um entrevista do presidente Erdogan, depois do cancelamento de atos eleitorais de ministros turcos na Alemanha nos últimos dias.

As relações bilaterais já tinham sido afetadas pelo encarceramento na Turquia do jornalista germânico-turco Deniz Yücel, correspondente do jornal alemão "Die Welt".

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