Alemanha tacha de absurda acusação turca de que ocultaria terroristas curdos

Berlim, 14 mar (EFE).- O ministro de Interior da Alemanha, Thomas de Maizière, considerou nesta terça-feira que é "absurda" a acusação do presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, de que o Estado germânico ocultaria terroristas curdos.

Segundo De Maizière, o que Erdogan pretende com essas afirmações é gerar solidariedade também naquelas pessoas que são críticas à reforma constitucional que aumentará suas competências e que será submetida a referendo em meados de abril.

"Essa alegação é mais uma de uma série de afirmações também absurdas e sem qualquer base real, que têm como única meta deixar a Turquia como vítima para gerar solidariedade entre gente que talvez tenha uma atitude crítica sobre o referendo", disse o ministro alemão.

De Maizière também se referiu a uma suposta lista com 4 mil terroristas que estariam escondidos na Alemanha e que Erdogan teria entregado à chanceler Angela Merkel, segundo rumores vindos de Ancara.

"Esta lista não existe", cravou o ministro, em entrevista coletiva e em resposta a uma pergunta nesse sentido.

"O que é verdade, é que nos últimos anos foram abertos na Alemanha 4 mil processos relacionados com o terrorismo na Turquia", acrescentou De Maizière.

O ministro também lembrou que o Partido dos Trabalhadores Curdos (PKK, sigla em curdo) é considerado uma organização terrorista na Alemanha e é proibido o uso de seus símbolos e a realização de atividades voltadas para seu financiamento.

"Naturalmente, agradecemos por qualquer informação que possa ser utilizada perante os tribunais", afirmou o ministro.

De Maizière fez essas declarações ao término da última reunião nesta legislatura da Conferência Alemã sobre o Islã, um fórum de diálogo permanente entre seu governo, representantes dos estados federados e das organizações muçulmanas no país.

O ministro admitiu que, nesta ocasião, as deliberações tinham ficado marcadas pela situação das relações com a Turquia, que sofreram uma crise em torno do referendo constitucional e das discussões sobre a participação de políticos turcos em atos de campanha na Alemanha.

De Maizière admitiu que, pessoalmente, não simpatiza com os atos de campanha de políticos estrangeiros na Alemanha, mas acrescentou que não são impostas proibições em termos gerais, sempre e quando determinados limites forem respeitados.

Para De Maizière, uma das linhas vermelhas é a exportação para a Alemanha de conflitos internos na Turquia que afetem a convivência no país.

"Não permitiremos que os conflitos internos turcos se transfiram para a Alemanha e perturbem a convivência das pessoas que vivem entre nós", disse o ministro germânico.

De Maizière também expressou sua preocupação pelas acusações que contra a organização muçulmana Ditib, que está sob suspeita de haver realizado atividades de espionagem para as autoridades turcas na Alemanha.

"As acusações são preocupantes e, se forem confirmadas, seria algo inaceitável", comentou o integrante do governo de Angela Merkel.

De Maizière lembrou que a Ditib foi até agora um interlocutor importante para o Estado alemão e que para que isto continue assim, precisa mostrar sua independência frente a Ancara.

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