Erdogan acusa Holanda de terrorismo de Estado e de ser perversa

Istambul, 14 mar (EFE).- O presidente da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, lançou nesta terça-feira novas críticas contra a Holanda, ao acusar o país de "terrorismo de Estado" e de ter uma "personalidade perversa" por seu suposto envolvimento no massacre de Srebrenica, na guerra da Bósnia, em 1995.

"Conhecemos a Holanda e os holandeses desde o massacre de Srebrenica. Conhecemos sua personalidade, sua personalidade tão perversa desde que foram massacrados oito mil bósnios. Conhecemos bem", disse Erdogan durante um discurso em Ancara, transmitido ao vivo pelas emissoras turcas.

As acusações de Erdogan marcam mais um capítulo no conflito diplomático entre Turquia e Holanda, que começou no último sábado, quando a polícia holandesa expulsou uma ministra turca de Roterdã e dissolveu uma manifestação a seu favor, episódio pelo qual Ancara exige retratação.

"O terrorismo de Estado da Holanda causa o maior prejuízo à Europa e à UE. A UE deixou de ser um símbolo da justiça, das liberdades e dos direitos humanos", acrescentou o líder turco.

"Advirto a todos sobre os acontecimentos na Europa que causam preocupação. Desde já exigimos que sejam responsabilizados, no âmbito diplomático e jurídico, quem faz isso", disse o presidente turco, de orientação islamita conservadora.

O governo da Turquia anunciou que tomaria medidas de pressão para forçar a Holanda a se desculpar pelo tratamento dado a seus ministros e ontem à noite informou que fechará o espaço aéreo a voos diplomáticos com origem na Holanda até novo aviso.

Erdogan acusou recentemente o governo holandês de práticas "nazistas" e "fascistas" por não permitir que seus ministros de Exteriores, Mevlüt Çavusoglu; e de Família e Assuntos Sociais, Fatma Betül Sayan Kaya, participassem de um comício político no consulado da Turquia em Roterdã.

A União Europeia (UE) pediu a ambos os países que reduzam as tensões diplomáticas. No entanto, Çavusoglu acusou a UE de "dar crédito à xenofobia" ao apoiar a Holanda nesta disputa.

A Turquia realizará em 16 de abril um referendo sobre uma mudança constitucional para criar um sistema de governo presidencialista, que daria todo o poder executivo a Erdogan.

Além da Holanda, a Alemanha também proibiu vários comícios de políticos turcos. Já Áustria, Suíça e Suécia suspenderam alguns atos, embora não todos, de políticos e ministros turcos no marco desta campanha eleitoral.

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