Secretário de Estado dos EUA viaja à Ásia para conter ameaça norte-coreana

Lucía Leal.

Washington, 14 mar (EFE).- O secretário de Estado dos Estados Unidos, Rex Tillerson, inicia nesta quarta-feira sua primeira viagem internacional com a complicada missão de desenvolver uma estratégia para conter a ameaça apresentada pela Coreia do Norte que convença o Japão e a Coreia do Sul, mas sem perturbar a China, que contesta a instalação de um escudo antimísseis americano na região.

A viagem aos três países é uma prova de fogo para Tillerson, que em seus menos de dois meses como chefe da diplomacia americana deu sinais de estar sendo marginalizado pela Casa Branca de Donald Trump, que parece decidida a comandar a política externa do país e reduzir ao mínimo a influência do Departamento de Estado.

A delicada diplomacia em relação à Coreia do Norte, que segue desafiando a comunidade internacional com seus testes de mísseis balísticos e nucleares, será o foco da viagem, na qual Tillerson quer explorar "alternativas" à estratégia adotada atualmente.

"Uma parte importante das conversas será focada em definir os elementos de um novo enfoque contra a Coreia do Norte", disse aos jornalistas a secretária-adjunta interina para Assuntos da Ásia Oriental do Departamento de Estado, Susan Thornton.

Os EUA evitaram definir claramente quais são os elementos dessa nova tática, mas sugeriu que quer garantir que as sanções existentes contra a Coreia do Norte sejam totalmente cumpridas, com objetivo de limitar os recursos do regime de Kim Jong-un.

Tillerson chegará na quarta-feira ao Japão, mas deve se reunir apenas no dia seguinte com o primeiro-ministro do país, Shinzo Abe, que se aproximou de Trump após ter visitado à Casa Branca.

Na sexta-feira, o secretário de Estado parte para a Coreia do Sul, um país que vive uma grave crise política após o impeachment da presidente Park Geun-hye devido a um caso de corrupção. Por isso, Tillerson se reunirá com o presidente interino, Hwang Kyo-ahn, e com o ministro das Relações Exteriores, Yun Byung-se.

A missão mais delicada está marcada para o sábado, em Pequim, onde Tillerson reuniões com quatro importantes personalidades chinesas: o presidente, Xi Jinping, o primeiro-ministro, Li Keqiang, o conselheiro de Estado, Yang Jiechi, e o ministro das Relações Exteriores, Wang Yi.

Parte das conversas, no entanto, servirá como preparação da próxima viagem de Xi aos EUA para se reunir com Trump, que quer receber o presidente chinês em seu luxuoso clube de Mar-a-Lago, Flórida, batizado pelo republicano de "Casa Branca de inverno".

A relação entre Pequim e Washington no governo Trump começou com o pé esquerdo, quando, antes de tomar posse, o republicano conversou por telefone com a presidente de Taiwan. E depois piorou quando o empresário questionou a manutenção da política de "uma só China", que guia a política externa dos EUA há mais de quatro décadas.

Trump voltou atrás e garantiu a Xi o compromisso com a política, mas o episódio deixou um elemento de tensão nessa relação já deteriorada pelas críticas do novo presidente americano à estratégia comercial da China durante a campanha eleitoral e depois de eleito.

O clima ruim ficou ainda pior no início deste mês com o envio de equipamentos do escudo antimísseis THAAD que os EUA começaram a instalar na Coreia do Sul.

Washington e Seul afirmam que precisam desse sistema para se defender de Pyongyang, mas Pequim e Moscou protestaram porque o raio de alcance do armamento também chega aos seus territórios.

A China pediu aos EUA para interromper a instalação do escudo e alertou que adotará as "medidas necessárias" para proteger seus interesses, mas Trump segue firme em sua postura.

"É uma medida completamente razoável para um país que se vê ameaçado pelos mísseis de seu vizinho do norte", disse Thornton.

"Queremos manter com Pequim uma relação baseada em resultados, que beneficie o povo americano, seja fiel aos nossos aliados e pressione a China para cumprir as normas internacionais", explicou a secretária-adjunta interina para Assuntos da Ásia Oriental.

Além dessa aposta no pragmatismo, a estratégia de Trump para a região não está clara. Thornton se limitou a dizer que o "giro estratégico" na Ásia iniciado pelo governo de Barack Obama terminou, como mostrou a saída dos EUA da Parceria Transpacífica (TPP), uma das primeiras medidas do novo presidente ao assumir o poder.

Apesar do grande interesse midiático da viagem, Tillerson quebrou um precedente de décadas nos EUA ao impedir que jornalistas o acompanhem no avião em que viajará, uma decisão criticada por vários veículos de imprensa e que demonstra o gosto pelo silêncio de um secretário de Estado que, até agora, se esquivou das manchetes.

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