Três antigos responsáveis por abrigo incendiado na Guatemala são presos

Guatemala, 13 mar (EFE).- Três ex-funcionários do governo da Guatemala que eram responsáveis por um abrigo de menores quando um incêndio acabou matando pelo menos 40 adolescentes, foram presos na segunda-feira, segundo informações do Ministério Público.

Os detidos são o ex-chefe da Secretaria do Bem-Estar Social da Presidência, Carlos Antonio Rodas Mejía, a ex-subsecretaria, Anahí Keller, e o ex-diretor do abrigo Hogar Virgen de la Asunción, Santos Torres, que deixaram seus cargos após a tragédia, ocorrida na última quarta-feira.

Segundo os primeiros indícios, as vítimas, das quais 12 continuam hospitalizadas, estavam presas em uma pequena sala de aula e iniciaram o incêndio durante protestos pelas agressões que sofriam.

Os ex-funcionários, que estão à disposição da Justiça, são acusados de "homicídio culposo, descumprimento de deveres e maus-tratos contra menores de idade", de acordo com os mandados de prisão emitidos pelo Tribunal Penal de Primeira Instância, Tráfico de Drogas e Crimes Ambiente para Diligências Urgentes de Investigação.

No tribunal, Anahí Keller, que segundo seu currículo divulgado pelos veículos de imprensa, é formada em Ciências da Comunicação e produtora de televisão com 29 anos de experiência criando "programas de TV com uma abordagem social", disse que não apenas culpar uma pessoa pelo incidente, mas é um "sistema completo" de proteção das crianças.

"Somos todos responsáveis, por isso é preciso que a lei faça suas investigações", disse a ex-funcionária.

Rodas, que estava há três meses na Secretaria de Bem-estar Social, pediu demissão nesta segunda, para contribuir com a investigação, enquanto Torres foi destituído no próprio dia do incêndio, segundo anúncio feito pelo presidente Jimmy Morales.

O mandatário, que assumiu a responsabilidade do Estado pela tragédia, pediu apoio às autoridades federais dos Estados Unidos para investigar as causas do acidente.

Na Guatemala "não existe nenhuma instituição especializada em investigar incêndios", argumentou Morales, ao revelar que pediu ajuda do FBI para "determinar a origem do fogo, fazer uma investigação transparente e profissional".

Uma das linhas de investigação que segue a Promotoria afirma que as meninas estavam trancadas em um quarto como castigo por uma tentativa de fuga e que, em protesto, incendiaram um colchão.

Questionado sobre isso, Morales disse na última sexta-feira em uma entrevista à "CNN" em Espanhol, que no albergue "tomou-se a decisão de separar a todas as crianças e adolescentes para que não estivessem homens e mulheres juntos (...) e evitar agressões entre si (...). Esteva sob as medidas de segurança necessárias, incluído a chave".

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