UE apresenta plano para apoiar futuro da Síria durante transição política

Estrasburgo (França), 14 mar (EFE).- A União Europeia (UE) divulgou nesta terça-feira sua estratégia sobre como apoiará a longo prazo a reconstrução da Síria quando o país der início a um processo de transição política "crível", na qual Bruxelas quer ter protagonismo.

O plano "reflete a necessidade que a UE sente em cumprir de alguma forma com sua responsabilidade", disse em entrevista coletiva no parlamento Europeu a alta representante do bloco para a Política Externa, Federica Mogherini, que elaborou o documento junto à Comissão Europeia.

Além de ser o primeiro doador à Síria, a UE acredita que pode ter um papel de destaque na reconstrução do país, embora exija como condição para isso que a guerra termine "através de um processo de transição política negociado pelas partes envolvidas no conflito", com a ajuda da ONU e da comunidade internacional.

Mogherini deixou claro que a transição política na Síria deve ser "liderada pelos sírios", mas pediu que seja "acompanhada" pelos atores regionais.

No documento, a UE ressalta os passos dados por Rússia, Turquia e Irã em apoio ao cessar-fogo na Síria.

Em sua estratégia, a UE destaca igualmente que a transição deve ser "genuína e inclusiva", com o "fortalecimento da oposição política", e que deverá "promover a democracia, os direitos humanos e a liberdade de expressão mediante o reforço das organizações da sociedade civil síria".

A partir desse momento, a UE pede que seja impulsionado um "processo de reconciliação nacional baseado no trabalho de consolidação da paz e na luta contra o sectarismo e o extremismo violento", incluindo uma abordagem relativa à justiça transicional "que contemple a prestação de contas pelos crimes de guerra".

Um dos objetivos será "salvar vidas" atendendo de forma oportuna e eficiente as necessidades humanitárias da população síria mais vulnerável, assim como "apoiar a resiliência" da população, das instituições e sociedade sírias.

Para alcançar estas metas, a estratégia propõe atuar em estreita coordenação com os parceiros regionais e as organizações internacionais, e "prosseguir com o trabalho diplomático e o planejamento" após o acordo de paz para dispor de ajuda internacional, coordená-la e garantir que possa ser distribuída quando for o momento oportuno.

A UE não chega a fazer referência neste documento ao papel que o presidente sírio, Bashar al Assad, deve desempenhar no processo, mas esclarece que manterá suas sanções contra personalidades e entidades que apoiarem o regime "enquanto continuar a repressão a civis".

Conforme forem constatados progressos na reconstrução, a UE se declara disposta a ir suspendendo suas sanções ao país, retomar a cooperação e disponibilizar fundos.

Mogherini apresentará o plano aos ministros da UE no Conselho das Relações Exteriores de 3 de abril e ao parlamento Europeu.

O documento servirá de base, além disso, para a conferência internacional sobre o futuro da Síria e a região que será realizada em 5 de abril em Bruxelas.

A alta representante europeia enfatizou que a UE quer "dar a clara mensagem aos sírios de que está ao seu lado", e lembrou que nos seis anos de conflito o bloco contribuiu com 9,4 bilhões de euros em apoio aos sírios deslocados no país e aos refugiados em países vizinhos.

Sobre o papel dos Estados Unidos, Mogherini garantiu que as discussões com esse país sobre a Síria foram positivas e que há "bom espaço para a cooperação".

Nesse contexto, afirmou que irá a Washington para participar em 22 e 23 de março de uma reunião ministerial da coalizão internacional liderada EUA contra o Estado Islâmico.

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