Vítimas e ativistas denunciam na ONU detenções e torturas na Síria

Genebra, 14 mar (EFE).- Vítimas e ativistas de direitos humanos denunciaram nesta terça-feira na ONU as barbaridades e violações que sofreram por parte do regime sírio e de grupos terroristas como o Estado Islâmico ou a antiga Frente al Nusra, como detenções em prisões secretas, desaparições forçadas e torturas.

O diretor-executivo da Rede Síria para os Direitos Humanos, Fadel Abdul Ghani, lembrou durante um debate na 34ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU que há 106 mil detidos na Síria, sendo 90 mil pelo regime de Bashar al Assad.

Por sua vez, 13.100 pessoas morreram torturadas, acrescentou Ghani sobre os dados que sua organização recolhe em segredo desde 2011.

Ghani relatou que há 46 tipos de tortura que causaram a morte dos detidos, e sustentou que muitas mortes acontecem pelas condições de detenção e porque os prisioneiros não recebem cuidado médico.

Dado que todas as partes em conflito negam que haja detidos, estas pessoas entram para a lista de desaparições forçadas.

Ghani indicou que a antiga Frente al Nusra, filial síria da Al Qaeda agora denominada Frente da Conquista de Levante, assim como as forças curdas e o Estado Islâmico (EI) também têm detidos. No primeiro caso são 1.600; no segundo, 1.200.

Noura Aljizawi, uma ativista e ex-vice-presidente da Coalizão Nacional Síria, ficou sequestrada durante seis meses e sua família não soube nada dela durante mais de quatro meses, segundo relatou.

"Fiquei isolada em uma cela e fui levada de um lugar para outro. Escrevíamos nossos nomes nos muros, algumas vezes com as unhas, com a esperança de que nos encontrariam algum dia", afirmou Noura, que contou que ela e outras mulheres foram detidas porque pertenciam a uma região dos rebeldes.

A ativista relatou que foi liberada e não morreu pela tortura porque teve a sorte de contar a solidariedade de defensores de direitos humanos e de vozes internacionais que lançaram uma grande campanha e pressionaram o regime para que não a matassem.

"Temos que continuar os esforços positivos para conseguir a libertação de todos os desaparecidos", suplicou.

O cofundador do grupo "Raqqa está sendo massacrada silenciosamente" e investigador de grupos extremistas no Oriente Médio, Sarmad Al Jilane, disse que "a cada segundo um civil é assassinado ou detido por parte do regime ou grupos extremistas".

Al Jilane, que foi detido por EI, Al Nusra e outras organizações, disse que estes grupos conseguiram tomar o controle de cidades em 2013 "quando pessoas desconhecidas" começaram a trazer aparatos explosivos à Síria.

"Nem uma única família no leste da Síria se livrou da opressão do EI e cada casa tem uma pessoa desaparecida ou assassinada", disse, enquanto Mazen Darwish, advogado e diretor do Centro Sírio para a Imprensa e a Liberdade de Expressão, que ficou detido durante mais de três anos, lembrou que as milícias também praticam as detenções.

Algumas milícias "são locais, outras além das fronteiras e outras confessionais", afirmou Darwish.

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